Saúde Mental: «Nenhuma ferida psicológica poderá jamais apagar a dignidade da pessoa humana», afirma Vaticano

Mensagem do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral aponta que «a Igreja não pode limitar-se a respostas ocasionais ou reativas»

Cidade do Vaticano, 09 out 2026 (Ecclesia) – O Vaticano defendeu hoje que “nenhuma ferida psicológica poderá jamais apagar a dignidade da pessoa humana”, a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, que se celebra no sábado.

“Um desenvolvimento que ignore a mente e o coração não é um desenvolvimento integral”, pode ler-se na mensagem assinada pela irmã Alessandra Smerilli, prefeita do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

O documento denuncia que, “em todo o mundo, inclusive nas regiões consideradas ‘avançadas’, uma visão limitada do progresso frequentemente tornou as pessoas alheias e até mesmo indiferentes ao bem-estar mental dos outros”.

“Hoje, as feridas interiores, emocionais e relacionais representam uma das dimensões mais profundas do sofrimento humano”, lamentou o organismo da Santa Sé.

O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral reconhece que “as paróquias, as escolas, as comunidades religiosas e as pequenas comunidades eclesiais são frequentemente os lugares aos quais as pessoas levam o próprio sofrimento e onde procuram uma escuta atenta, acompanhamento e apoio nos momentos de vulnerabilidade psicológica”

Consequentemente, em muitas Igrejas locais, a saúde mental está emergindo como um dos desafios pastorais mais urgentes”, alertou.

A mensagem convida a olhar para duas situações que requerem “atenção especial”, indicando que a primeira diz respeito “às pessoas que vivem crises humanitárias – guerras, migrações forçadas, instabilidade política, desastres ambientais e pobreza estrutural —, que deixam traumas profundos nos indivíduos e nas comunidades”.

“A segunda diz respeito aos jovens, que enfrentam novas formas de vulnerabilidade emocional relacionadas à pressão social, à incerteza econômica e ao isolamento. As situações são diferentes, mas a raiz é a mesma: uma pessoa torna-se vulnerável quando lhe faltam segurança, relações, sentido e esperança”, destacou.

O organismo da Santa Sé lembra que “a todos aqueles que sofrem, a Igreja diz: vocês não estão sozinhos e Deus não os abandonou”, realçando depois que “a fé não substitui o cuidado, mas o acompanha e lhe dá esperança”.

“Ninguém se cura sozinho”, sublinhou o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que defende que tal está em sintonia com o tema do Dia Mundial da Saúde Mental deste ano: “Ouvir as experiências vividas: vozes reais, mudança real”.

O documento assinala que “a cura muitas vezes começa no momento em que uma pessoa se sente verdadeiramente ouvida” e que “a escuta deve traduzir-se em ação”.

A Igreja não pode limitar-se a respostas ocasionais ou reativas. Como cristãos, somos chamados a desenvolver um ministério estável, competente, compassivo e preventivo, que acolha a pessoa em sua totalidade: corpo, mente e espírito”, apontou.

O organismo da Santa Sé observa que tal “requer agentes pastorais preparados, colaboração com profissionais da saúde, fluxos de encaminhamento claros, atenção à prevenção do suicídio, apoio às famílias e cuidado com os jovens”.

“O Dicastério convida, além disso, todas as pessoas de boa vontade a se comprometerem de maneira significativa com aqueles que enfrentam dificuldades relacionadas à saúde mental e a colaborarem com a Igreja e outras instituições na definição de políticas, serviços e soluções”, refere.

A mensagem conclui com a irmã Alessandra Smerilli a recordar que “Aqueles que vivem um sofrimento mental não são apenas destinatários de cuidados, mas protagonistas do caminho a ser percorrido, e suas vozes devem contribuir para moldar as respostas”.

“Cuidar deles não é uma questão marginal, mas parte integrante do coração da missão da Igreja”, vincou.

LJ

O Dia Mundial da Saúde Mental assinala-se anualmente a 10 de outubro, com o objetivo de sensibilizar para as questões de saúde mental e mobilizar esforços para a sua promoção e apoio.

O Dia Mundial da Saúde Mental celebra-se a 10 de outubro desde 1992, por iniciativa da Federação Mundial de Saúde Mental e com o apoio da Organização Mundial da Saúde.

A data tem como objetivo “sensibilizar para a importância da saúde mental, reduzir o estigma associado às perturbações mentais e promover políticas que garantam cuidados acessíveis a todos”, informa a Direção-Geral da Educação.

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