Mónaco: Papa desafia jovens a trocar «aprovação virtual» e dependência de «likes» pelo amor autêntico

Leão XIV respondeu a dúvidas de jovens e catecúmenos, incluindo uma portuguesa, apontando a Eucaristia e a oração como antídotos para o «vazio interior»

Foto: Lusa/EPA

Mónaco, 28 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV pediu hoje aos jovens que resistam à dependência da aprovação nas redes sociais, propondo o silêncio e a relação com Cristo como respostas à ansiedade do mundo contemporâneo.

“O vazio interior, de que falava a Andreia, é preenchido não com coisas materiais e passageiras, nem com a aprovação virtual de milhares de likes, ou com pertenças condicionantes, artificiais, por vezes até violentas”, disse, em resposta ao testemunho de uma participante portuguesa, no encontro que decorreu na Igreja de Santa Devota, padroeira do Principado do Mónaco.

O pontífice ouviu vários jovens e catecúmenos, alertando para os perigos de uma sociedade que parece estar sempre “com pressa”, sedenta por novidades e marcada por “uma necessidade quase compulsiva de contínuas mudanças”.

“Se por um lado, amar-se requer abertura para crescer e, portanto, para mudar, por outro lado, exige fidelidade, constância e disponibilidade para o sacrifício no dia-a-dia”, observou.

Leão XIV dialogou com os presentes a partir das suas interrogações, entre as quais a da portuguesa Andreia, de 24 anos, que relatou a dificuldade de manter uma fé sólida perante o “vazio interior” e a ameaça de a vida religiosa se tornar apenas um hábito “por reflexo”.

“Por vezes, esse vazio é acentuado pelos acontecimentos do mundo ou da nossa vida pessoal: a guerra, a violência, as doenças, a perda de um ente querido”, assinalou a jovem.

Leão XVI destacou que “o bem é mais forte do que o mal, mesmo quando, por vezes, à primeira vista, parece ter levado a pior”.

“O testemunho da fé é uma semente que pode alcançar e fecundar corações e lugares distantes, muito além das nossas próprias expectativas e possibilidades”, prosseguiu.

Para contrariar “a agitação do fazer e do dizer, das mensagens, dos reels, dos chats”, o Papa aconselhou o aprofundamento da oração e recordou o exemplo de São Carlo Acutis, o adolescente que canonizou em 2025.

“São Carlo Acutis falava da Eucaristia como da ‘autoestrada para o Céu’ e da Adoração Eucarística como de um banho de sol, capaz de bronzear a alma”, recordou.

Queridos jovens, não tenhais medo de entregar tudo a Deus e aos irmãos: o vosso tempo, as vossas energias; de gastar-vos totalmente pelo Senhor e pelos outros. Só assim encontrareis um gosto sempre renovado e um sentido cada vez mais profundo para a vida.”

Aos catecúmenos Ethan e Sophie, que relataram os seus percursos de conversão e a sua preparação para receber o Batismo na Páscoa, Leão XIV sublinhou que o testemunho cristão junto de quem sofre não se “improvisa”, nascendo de uma troca recíproca com Deus.

“O Mónaco é um país pequeno, mas pode ser um grande laboratório de solidariedade, uma janela de esperança. Levai o Evangelho para as vossas escolhas profissionais, para o empenho social e político, no sentido de dar voz a quem a não tem, difundindo a cultura do cuidado”, pediu.

No início do encontro, o arcebispo do Mónaco, D. Dominique-Marie David, deu as boas-vindas ao Papa, descrevendo os jovens presentes como uma dádiva e um “desafio que exige responsabilidade”.

Após a celebração e a bênção, Leão XIV seguiu em carro aberto para a residência do arcebispo, onde decorre o almoço.

OC

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