Missa no Estádio Nacional do Zimpeto encerra visita ao país lusófono

Foto: Lusa

Maputo, 06 set 2019 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje em Moçambique à reconciliação e o perdão, para fechar feridas do passado e rejeitar qualquer tentação de “vingança” através das armas.

“É difícil falar de reconciliação, quando ainda estão vivas as feridas causadas durante tantos anos de discórdia, ou convidar a dar um passo de perdão que não signifique ignorar o sofrimento nem pedir que se cancele a memória ou os ideais”, referiu, na homilia da Missa a que presidiu no Estádio do Zimpeto, perante dezenas de milhares de pessoas, num dia marcado pela chuva.

Francisco centrou a sua intervenção na importância de superar as “histórias de violência, ódio e discórdias” que marcaram as últimas décadas do século XX.

“Superar os tempos de divisão e violência supõe não só um ato de reconciliação ou a paz entendida como ausência de conflito, mas o compromisso diário de cada um de nós ter um olhar atento e ativo que nos leva a tratar os outros com aquela misericórdia e bondade com que queremos ser tratados”, defendeu.

O Papa admitiu o temor de que “feridas do passado se repitam e tentem apagar o caminho de paz já percorrido”, assinalando os recentes atos de violência em Cabo Delgado.

A homilia evocou as riquezas naturais e culturais do país, que “paradoxalmente” tem uma “quantidade enorme da sua população abaixo do nível de pobreza”.

“Por vezes parece que aqueles que se aproximam com o suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. E é triste quando isto se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper; é muito perigoso aceitar que este seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa”, advertiu Francisco.

Num país em que os católicos representam cerca de 30% da população, o pontífice falou num mandato de “benevolência ativa”, seguindo os ensinamentos de Jesus, para que cada cristão seja “gerador de vida e não de morte”.

Não se pode pensar o futuro, construir uma nação, uma sociedade sustentada na ‘equidade’ da violência. Não posso seguir Jesus, se a ordem que promovo e vivo é ‘olho por olho, dente por dente’. Nenhuma família, nenhum grupo de vizinhos ou uma etnia e menos ainda um país tem futuro, se o motor que os une, congrega e cobre as diferenças é a vingança e o ódio”

Francisco alertou para a tentação de recorrer às “armas e à repressão violenta”, sustentando o direito de todos à paz.

A intervenção sublinhou a importância da proposta cristã da bondade e do serviço, que leva a “considerar o bem do próximo tão querido como o próprio”.

“O mundo desconhecia – e continua sem conhecer – a virtude da misericórdia, da compaixão, matando ou abandonando deficientes e idosos, eliminando feridos e enfermos, ou divertindo-se com os sofrimentos dos animais”, lamentou.

O Papa concluiu com votos de que o “caminho da paz” marque o futuro de Moçambique, “na senda da misericórdia, na opção pelos mais pobres, na salvaguarda da natureza”.

A viagem de Francisco a Moçambique, a segunda de um Papa na história do país, iniciou-se na quarta-feira e conclui-se hoje pelas 12h25 (menos uma em Lisboa), no aeroporto de Maputo, de onde o pontífice segue para Madagáscar, segunda etapa da viagem a África que se prolonga até terça-feira.

OC

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