Encontro na Catedral de Maputo reuniu membros do clero e de institutos religiosas, seminaristas, catequistas e animadores

Foto: Lusa

Maputo, 05 set 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco alertou hoje em Maputo para o que denominou como “crise de identidade sacerdotal”, lamentando o “exagero na preocupação de gerar recursos para o bem-estar pessoal”.

“Perante a crise de identidade sacerdotal, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus”, disse, num encontro na Catedral da Imaculada Conceição, em Maputo, que reuniu membros do clero e de institutos religiosas, seminaristas, catequistas e animadores das comunidades católicas.

Num país em que os católicos são cerca de 28% da população, Francisco pediu “pastores-discípulos-missionários”, capazes de dedicar toda a sua atenção ao próximo, particularmente os mais necessitados.

“Para nós, sacerdotes, as histórias do nosso povo não são um noticiário: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu coração; e o nosso, sofrendo com eles, vai-se desgastando, divide-se em mil pedaços, compadece-se e parece até ser comido pelas pessoas”, declarou.

O Papa desafiou os presentes a “encurtar a distância”, num país que procura superar as feridas da guerra, promovendo “o intercâmbio e o diálogo”, com uma atitude de “proximidade” a todos.

Alegramo-nos com os noivos que vão casar; rimos com a criança que trazem para batizar; acompanhamos os jovens que se preparam para o matrimónio e para ser família; entristecemo-nos com quem recebe a extrema-unção no leito do hospital; choramos com os que enterram uma pessoa querida. Consagramos horas e dias a acompanhar aquela mãe com SIDA, aquele menino que ficou órfão, aquela avó encarregada de tantos netos ou aquele jovem que veio para a cidade e está desesperado porque não encontra trabalho…

A intervenção assinalou ainda a importância da inculturação, procurando que “a pregação do Evangelho, expressa com categorias próprias da cultura onde é anunciado, provoque uma nova síntese com essa cultura”.

Francisco alertou para a “mumificação” dos responsáveis católicos, que apresentam uma mensagem “cinzenta”, incapaz de atrair.

“Reavivemos, pois, a nossa chamada vocacional, façamo-lo sob este magnífico templo dedicado a Maria e que o nosso sim comprometido proclame as grandezas do Senhor e alegre o espírito do nosso povo em Deus nosso Salvador. E encha de esperança, paz e reconciliação o vosso país, o nosso querido Moçambique”, concluiu.

O segundo dia da visita ao país lusófono encerra-se com uma visita à ‘Casa Mateus 25’, uma instituição dedicada ao trabalho com a população mais desfavorecida de Maputo.

OC

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