Fundação Ajuda à Igreja que Sofre reporta zonas costeiras afetadas pela tempestade tropical Ana

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 26 jan 2022 (Ecclesia) – A OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento estima que 60 mil pessoas sejam afetadas pela tempestade tropical Ana, com os campos alagados e as culturas destruídas, a situação irá “agravar a fome nos próximos meses”.

“Ainda não é possível apurar todos os impactos, há várias comunidades que ficaram sem acesso e isoladas, mas as equipas da Oikos já reportaram muitas zonas de produção agrícola totalmente inundadas. As famílias vão perder uma grande parte das suas culturas, que são a fonte da sua alimentação e rendimento” reporta Dinis Chembene, Gestor de Programa na área de desastres e alterações climáticas, da Oikos em Moçambique, num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

A ONGD reporta que as plantações estavam, “nesta altura do ano, a meio do seu ciclo” e que sem as colheitas, uma vez que estão inundados 2.252 hectares” a população irá enfrentar “um agravamento da fome não só agora como durante a época seca, a partir de Abril”.

“Moçambique precisa, mais do que ajudas pontuais, de respostas a longo prazo. É um país extremamente vulnerável às ameaças climáticas, que tendem a piorar, e por isso é fundamental o trabalho continuado com as comunidades para que elas próprias estejam preparadas para uma melhor resposta e recuperação dos impactos sofridos”, reconhece Dinis Chembene.

O bispo de Nacala, na província de Nampula, em Moçambique, relatou à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) imagens de destruição provocadas pela passagem da tempestade tropical Ana, que afetou a região norte do país e o norte da região centro.

D. Alberto Vera fala em “chuva contínua” na cidade de Nampula e vento “muito forte”, regista um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

Às primeiras horas do dia 24, “sentiram-se fortes chuvas com muito vento na Ilha de Moçambique e no distrito de Mossuril”, regista, e a população na cidade de Nacala estava em casa, à espera que o vento forte e a chuva passassem.

D. Inácio Saure, bispo de Nampula, regista que os distritos costeiros são os “mais afetados”.

A tempestade tropical Ana atravessou algumas regiões de Moçambique tendo afetado a parte norte da região centro e a região norte do país, em especial a província de Nampula, a 24 de Janeiro, tendo-se, depois, dirigido para oeste, afetando significativamente as províncias da Zambézia e Tete.

Os distritos de Angoche, Moma, Larde, Mogovolas, Monapo e de Nampula foram os mais afetados com a destruição de centenas de casas, escolas, centros de saúde e da queda de estruturas da rede elétrica, dá conta o comunicado da AIS.

A companhia das Linhas Aéreas de Moçambique cancelou os voos que estavam previstos para Nampula, Nacala e Pemba, no norte do país, e ainda Quelimane, Tete e Chimoio, na região centro, devido “à chuva intensa e ventos fortes”.

A OIKOS regista, no entanto, que as escolas construídas recentemente com materiais resilientes a desastres naturais para 7000 crianças não sofreram impactos, o que lhes permite da continuidade ao trabalho desenvolvido.

Dados provisórios hoje recolhidos junto da Cáritas de Moçambique davam conta de 24 mil pessoas afetadas, mais de 1200 casas foram totalmente destruídas, 4211 parcialmente destruídas e três óbitos a registar.

Santos Gotine, diretor da instituição de ação social da Igreja católica, adiantou que a tempestade tropical Ana está a passar mas de acordo com informações oficiais, “até ao final da época das chuvas, no final de março, espera-se a passagem de mais seis tempestades”.

LS

 

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