Pemba, Moçambique, 24 fev 2022 (Ecclesia) – Um missionário da Igreja Católica alertou para novos ataques em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, assinalando que “estão todos apavorados”.

“Não tenho o número de mortos, por enquanto ninguém sabe, mas houve aldeias em que queimaram casas e eram aldeias grandes, povoadas, lugares onde se faz muita ‘machamba’; Eles [os terroristas] passaram e queimaram bastantes casas”, disse o missionário, que pediu para não ser identificado, ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, pela fundação pontifício, o missionário indicou também que têm informações de combates entre terroristas e forças militares na região de Nangade, próxima da fronteira com a Tanzânia.

“A situação não está bem e estão todos apavorados”, alertou.

Os “insurgentes”, nome dado localmente aos terroristas, atacaram as aldeias de Milola, Chianga, Lutona, Napuatakala, esta terça-feira, e as aldeias de Kankhomba, Janguane, Mambo Bado e Muhia, no domingo; As populações fugiram e têm procurado abrigo na vila de Nangade.

As forças militares moçambicanas – que estão a desenvolver diversas operações na Província de Cabo Delgado com o apoio de unidades do exército do Ruanda e de países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – reagiram a estes ataques e, segundo as Forças de Defesa de Moçambique, foram mortos sete terroristas, desmantelados 16 esconderijos no mato, e uma base de comunicações.

A AIS refere que estas operações militares decorreram nos últimos dias no distrito de Palma, que também fica na região fronteiriça com a Tanzânia.

O missionário católico deu conta também de um ambiente de alvoroço na zona de Nangade, onde a vila sede “está bem agitada”, por causa dos “movimentos de pessoas do grupo [dos terroristas] e dos militares”.

“Por estes dias, está tudo muito agitado não só por Nangade mas também nas aldeias ao redor”, acrescentou.

A fundação pontifícia recorda os alertas de uma religiosa, no início deste mês, para os ataques e raptos de mulheres em aldeias na zona de Macomia, na província de Cabo Delgado.

Já morreram “mais de três mil pessoas” e há cerca de 800 mil deslocados internos desde que começou este conflito no norte de Moçambique, em outubro de 2017, e para a AIS o país lusófono é “prioritário” no continente africano.

O auxílio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre tem-se materializado “em projetos de assistência pastoral e apoio psicossocial”, no fornecimento de materiais para a construção de dezenas de casas, centros comunitários e ainda a aquisição de veículos para os missionários que trabalham junto dos centros de reassentamento que abrigam as famílias fugidas da guerra.

CB/OC

 

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