Governo confirma 200 mortes, após passagem do ciclone Idai

foto: Lusa

Beira, Moçambique, 19 mar 2019 (Ecclesia) – A Arquidiocese da Beira, em Moçambique, criou uma comissão de emergência para responder à crise provocada pela passagem do ciclone Idai, que já provocou 200 mortos.

Em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA pelo padre Bonifácio Conde, chanceler da diocese católica, os responsáveis da Beira sublinham que a comissão visa “fazer face à situação que está sendo vivida pelo povo de Sofala”.

O organismo inclui pessoal da Cúria e da Cáritas da Arquidiocese da Beira, atualmente sem energia elétrica e com dificuldades nas redes de comunicação.

A nota destaca em particular a situação em Búzi, localidade que “continua submergida e isolada”.

O arcebispo da Beira, D. Cláudio Dalla Zuanna, escreveu uma mensagem sobre os “efeitos destrutivos” do Idai, “fenómeno descrito por muitos como algo ‘jamais’ visto ou narrado nos anais desta província do Centro de Moçambique”.

Habitações, escolas, hospitais e Igrejas ficaram sem telhado e nalguns casos, as paredes desmoronaram, inúmeras árvores tombaram sobre edifícios, estradas e veículos, dificultando a transitabilidade; a rede elétrica e telefónica ficou danificada e até ao momento não foi restabelecida; igualmente não há fornecimento de água potável, e começa a escassear a comida, uma vez que boa parte dos alimentos ficaram deteriorados pela chuva que continua a cair ou por falta de energia para a sua conservação”.

O arcebispo informa que alguns rios estão a transbordar, como é o caso do rio Búzi e Púngué; a cidade da Beira está isolada, uma vez que a única via de acesso terrestre ficou cortada pela queda de uma ponte.

“Como Igreja diocesana, por meio das paróquias e da Cáritas, estamos a ativar um plano de emergência para fazer face as necessidades mais urgentes”, conclui a nota.

A passagem do ciclone Idai no centro de Moçambique e as cheias que se seguiram já provocaram mais de 200 mortos desde quinta-feira, anunciou hoje o presidente moçambicano Filipe Nyusi.

O ciclone incidiu sobretudo ao longo do chamado “corredor da Beira”, um percurso correspondente a cerca de 130 quilómetros, habitado por aproximadamente um milhão de habitantes e onde estão implantadas 25 paróquias católicas

OC

Ponto da Situação divulgado pela Arquidiocese da Beira

  1. População atingida: estima-se que cerca de 140 mil famílias tenham tido prejuízos, das quais entre 10 a 20% perderam tudo.
  2. Igrejas Paroquiais e comunidades: 22 Igrejas paroquiais foram danificadas, das quais três ruíram totalmente; 60 pequenas capelas foram danificadas.
  3. Residências Paroquiais: nove ficaram danificadas, algumas seriamente.
  4. Residências de Religiosos e Religiosas: 20 ficaram danificadas.
  5. Escolas católicas: ficaram danificadas sete escolas que atendem cerca de 9500 alunos; trata-se de salas que ficaram quase na sua totalidade sem telhado, encontrando-se por esse motivo as aulas interrompidas.
  6. Estruturas diocesanas: Residência Episcopal e Cúria (totalmente sem telhado, com estragos nos escritórios e arquivos); Secretariado da Coordenação Pastoral (registou alguns danos, sobretudo no que diz respeito ao material de escritório), Seminário Bom Pastor (capela e refeitório recém construídos, dormitórios, totalmente sem telhados; a residência dos formadores com telhado danificado parcialmente); Caritas Diocesanas (escritório completamente danificado, registaram igualmente danos de documentação, material informático e de escritório, e muro de vedação); Centro de Formação Pastoral de Nazaré (com capacidade para acolher 200 pessoas, todas as infraestruturas ficaram sem teto e inabitáveis, o que obrigou a suspender todas as atividades); Rádio diocesana (queda da torre, infiltrações nos estúdios, todo material danificado); Tipografia diocesana (ficou sem teto e com o material danificado); Estrutura diocesana de armazenagem (danificada); Lares e Orfanatos diocesanos (que acolhem cerca de 150 crianças: telhados danificados e estrago do material).
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