Igreja Católica realça que ainda estão «em plena fase de emergência» e quinta-feira foi o «primeiro dia» que não choveu

Foto: Lusa

Beira, Moçambique, 22 mar 2019 (Ecclesia) – A Arquidiocese moçambicana da Beira informa que água e alimentos são, neste momento, “a principal urgência” na região desta cidade onde ainda “não foi restabelecida” a energia elétrica, nem a água canalizada e o acesso terrestre está cortado.

“A grande preocupação do povo agora é água e comida, poucos estão a pensar em criar mecanismos para recuperar as suas vidas. Estamos ainda em plena fase de emergência”, explica a arquidiocese católica num comunicado redigido nas últimas horas.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, a Arquidiocese da Beira contextualiza que muitas pessoas “perderam todas as reservas de alimentos” e nos poucos armazéns, “onde ficou algo, os produtos estão a escassear”.

À situação “já tão difícil”, que vivem há uma semana após a passagem do ciclone Idai, acrescentar-se “outra tragédia que são as inundações em curso”, com milhares de pessoas que “devem ser resgatadas, sobretudo da Vila do Búzi”.

“Sem alguma ajuda as pessoas levarão anos para levantar-se da situação em que caíram”, alerta a Igreja Católica local, que realça que a catástrofe natural “provocou danos” em cerca de 90% das habitações e “derrubou muitas das casas mais precárias nos bairros periféricos da cidade”.

Esta quinta-feira foi “o primeiro dia em que não caiu a chuva” na região que ainda não tem energia elétrica, distribuição de água canalizada e a “única via de acesso terrestre ainda está cortada”.

A Comissão Diocesana de Emergência, criada pela Arquidiocese da Beira, continua a realizar “encontros diários” para coordenar “a resposta possível” com a Caritas Diocesana e, hoje, preveem que comecem a funcionar “três pontos de fornecimento de água”.

Contactar com as autoridades, recolher informações, escutar as pessoas nos bairros e partilhar essas informações é outro serviço que os membros da comissão estão a fazer, bem como um levantamento dos “prejuízos” em estruturas paroquiais, obras sociais e casas religiosas.

A Rádio Pax, emissora católica diocesana, também sofreu danos, “pela queda da torre e da água que entrou nos estúdios”; A equipa da redação visitou três centros de acomodação, onde as pessoas estão “desesperadas e procuram meios mínimos de sobrevivência”.

No bairro Ndunda 2, a 25 km da Beira, o centro de acomodação com 89 pessoas foi improvisado num edifício em construção, “na hora da aflição” parecia ser o mais seguro, mas todos os dias chegam pessoas à procura de abrigo.

Aos jornalistas, divulga a Arquidiocese da Beira, as pessoas disseram que desde o dia 15 de março receberam apenas uma vez “ajuda” do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, do governo moçambicano, “como 1kg de arroz e 1Kg de açúcar por família”.

Já no bairro da Munhava, “um dos mais populosos” da Beira, o centro de acomodação na Escola Amílcar Cabral tem “aproximadamente 1500 pessoas” que recebem mantimentos todos os dias.

O segundo centro deste bairro, na Escola Primária Completa de Munhava Central, tem 228 pessoas, que “desde 15 de março, receberam 1 kg de arroz e 1 Kg de açúcar por família” e a água potável também é fornecida “com algumas dificuldades”.

Segundo o comunicado, existem outras dificuldades como a “falta” de medicamento ou posto de saúde próximo para primeiros socorros”, de redes mosquiteiras e colchões – “dormem ao ar lento ou em salas de aulas sem teto ou janelas”, e “no chão húmido”.

Os últimos números oficiais do Governo moçambicano contabilizam 294 mortos e avisam que, pelo menos, 15 mil pessoas estão em perigo.

O ciclone Idai também está a atingir outros países africanos, como o Zimbabué, onde já morreram pelo menos 98 pessoas, e o Malawi, que registou 56 vítimas mortais.

CB/JCP

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