Entrevista ao assistente diocesano do Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo da Arquidiocese de Évora A aproximação da 34.ª Semana Nacional de Migrações, que decorrerá de 6 a 13 de Agosto e que tem como tema de fundo “Migrações: Sinal de Tempos Novos”, especialmente dedicada aos imigrantes dos países de Leste, levou à conversa com o Pe. Adriano Chorão Lavajo Simões, assistente diocesano do Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo da Arquidiocese de Évora A Defesa – Como caracteriza a Arquidiocese de Évora em relação às migrações? Pe. Adriano Lavajo Simões – Como acontece nas restantes dioceses, em Évora, existe um Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo que está atento a esta realidade da imigração que é relativamente nova para o povo português. Nos anos 90, e já antes, com o fim das colónias ultramarinas, começámos a ser confrontados com a vinda de estrangeiros para Portugal. Na última década, começámos a receber habitantes dos países de Leste, principalmente da Ucrânia. Actualmente podemos dizer, que na nossa diocese, temos um mosaico, constituído por representantes de muitos países, não apenas de língua portuguesa. AD- Quantos imigrantes existem na Arquidiocese de Évora? ALS – Não é fácil contabilizar em números exactos a presença de imigrantes na nossa diocese. Mas, em relação ao distrito de Évora, que é mais fácil contabilizar, segundo os últimos dados divulgados, existem cerca de 4 mil pessoas com autorização de residência. Mas entre as autorizações e os títulos de residência emitidos pelo SEF temos uma população de imigrantes que vai além dos 5 mil, provavelmente aproximando-se dos 10 mil imigrantes na Arquidiocese de Évora. AD – Em relação à origem, qual é o grupo maioritário na Arquidiocese? ALS – Quanto à dis- tribuição por línguas, são maioritariamente ucranianos, segui- dos dos brasileiros, moldavos e romenos. Depois há pessoas de todas as origens, não apenas de países lusófonos de África mas também do continente americano e até asiático, verificando-se uma presença de habitantes do Paquistão e da China, visíveis pelas lojas que já existem na cidade. AD – O que é que estes imigrantes pedem ao Secretariado Diocesano? ALS – Neste momento posso dizer que não têm pedido grande coisa. Houve uma fase, há três ou quatro anos, que tivemos uma equipa técnica para acolhimento de estrangeiros que funcionou aqui no Centro da Sagrada Família. Nesse tempo,os estrangeiros faziam fila, principalmente oriundos de Leste, que procuravam esclarecer-se sobre a forma de legalização e à procura de trabalho. Nessa altura tínhamos aqui uma bolsa de ofertas que facilitava de alguma maneira a sua procura de trabalho. Com a criação de um CLAI – Centro Local de Apoio ao Imigrante, dependente do ACIME – Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, o serviço do centro foi-se reduzindo porque o CLAI tinha outras condições de informação e de apoio. Neste momento o secretariado tem uma equipa de leigos, que além de algumas ajudas pontuais, tem preparado a Festa do Povos, que, este ano, realizámos, em Vila Viçosa, no passado dia 28 de Maio, e que congregou cerca de 200 imigrantes, num momento inter-cultural muito interessante. Começou com uma procissão para o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, de seguida foi celebrada uma Eucaristia presidida pelo Senhor D. Manuel Madureira Dias, bispo emérito do Algarve. Pela tarde, decorreu um almoço de confraternização e um espectáculo em que actuaram representantes dos diversos países presentes. Foi de facto um momento alto e que queremos continuar a celebrar anualmente, sendo uma exteriorização do que é a missão da Igreja: acolher e ajudar a integrar os imigrantes. AD – A Festa dos Povos e a equipa do Secretariado são alguns apoios que a Arquidiocese de Évora oferece aos imigrantes que cá vivem? ALS – Sim. São estes os apoios que estamos a oferecer aos imigrantes na Arquidiocese. Além disso, vamos sensibilizando os Párocos para que nas suas paróquias façam esse trabalho de acolhimento fraterno. Quero ainda sublinhar a importância da capelania dos dois padres ucranianos que estão a residir no Torrão e que prestam apoio à comunidade ucraniana dispersa pelo país, sobretudo em Évora, onde celebram na capela de Nossa Senhora da Saúde e em S. Joãozinho. Pela diocese, celebram ainda em Viana do Alentejo, Estremoz e Montemor-o-Novo. Também se deslocam à diocese de Beja onde não existem padres ucranianos. AD – Os imigrantes têm-se integrado na Arquidiocese? ALS – Sim. Têm-se integrado bastante bem. Certamente terão tido os seus problemas de integração, mas problemas, que provoquem mal estar na sociedade, podemos dizer, que em Évora, não têm acontecido. AD – O que pensa do ante-projecto da nova Lei da Imigração? ALS – Na medida que nas últimas duas décadas assistimos ao crescimento e à diversificação qualitativa da realidade da imigração é um desafio e uma oportunidade para a nossa socie- dade este ante-projecto. Penso que esta nova lei pretende simplificar o processo de legalização e o processo de integração como a desburocratização do sistema de vistos e concessão de autorização de residência, apostando também no favorecimento do reagrupamento familiar, o que facilita a integração. Penso que esta lei da imigração, tal como está no ante-projecto, deve ser revista nos aspectos negativos e ser valorizada nesses aspectos positivos. AD – Qual o papel da Igreja perante a Imigração? ALS – Penso que a Igreja não pode ter apenas uma preocupação por estes aspectos que são importantes como o acolhimento e legalização, mas deve essencialmente preocupar-se com o apoio espiritual que passa pela atenção não apenas com os imigrantes católicos mas por todos. O Encontro Nacional que se realizou de 10 a 15 de Julho, em Viana, teve em atenção a diver sidade religiosa dos imigrantes em Portugal. AD – De 6 a 13 de Agosto celebra-se mais uma Semana Nacional de Migrações. Quer deixar alguma mensagem para o evento? ALS – Sim. Vai celebra-se a 34.ª Semana Nacional de Migrações, dedicada ao lema “Sinal dos tempos”, que quer chamar a atenção para o fenómeno migratório. Portanto, seria bom que nas comunidades paroquiais, sobretudo no Domingo dia 13, coincidindo com a peregrinação a Fátima, acontecessem algumas celebrações especiais. As Paróquias foram contempladas com material, que o Secretariado já entregou, onde são feitas suges- tões para celebrar esse dia. Se na Paróquia há imigrantes seria interessante dar-lhes uma participação activa na celebração, como por exemplo, fazer uma leitura, ou participar na oração dos fieis, procurando assim sensibilizar a assembleia para esta realidade da imigração no meio de nós. É uma sugestão que deixo aos colegas Párocos que trabalham pela Diocese fora. Entrevista de Pedro Miguel Conceição

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