Representantes de missionários que trabalham junto de fluxos migratórios em 32 países estiveram em Portugal

Lisboa, 01 out 2015 (Ecclesia) – O padre Alfredo Gonçalves, vigário geral dos missionários scalabrinianos, afirmou hoje à Agência ECCLESIA que o “maior problema” da Europa diante dos fluxos migratórios é fazer um acolhimento “seletivo” de migrantes e refugiados.

“É verdade que o refugiado não pode voltar a atrás porque é perseguido, mas também é verdade que o migrante que foge da pobreza também não pode voltar a atrás porque está condenado à morte, a conta-gotas, porque não tem condições de sobrevivência no seu país”, afirmou

“Essa separação muito nítida entre refugiado e migrante é perigosa é uma armadilha”, afirmou o vigário geral dos missionários scalabrinianos no fim de uma reunião que decorreu no Turcifal, na Diocese de Lisboa, com representantes de sacerdotes que trabalham com migrantes e refugiados em 32 países.

Para o sacerdote madeirense, que integra o Governo Geral da Congregação cuja prioridade é trabalhar junto das populações migrantes, a Europa tem de “construir pontes, não muros” e admitir que vai precisar de “milhões de imigrantes”.

“A Europa, para continuar no nível em que está hoje, vai precisar dentro de alguns anos de milhões de imigrantes para continuar a manter o nível de vida que tem. Os países que vêm coisas a longo prazo acolhem imigrantes e tentam dar uma oportunidade de trabalho porque sabem que esse é o futuro. Os países que os afastam vão ter problemas consigo mesmos”, sublinhou.

O Encontro Internacional dos Missionários Scalabrinianos reuniu em Portugal os responsáveis pela formação de cerca de 500 candidatos ao sacerdócio na congregação, concluindo que é necessário “conhecer mais a sério” os fluxos migratórios.

“É um dos temas emergentes em toda a sociedade, particularmente na Europa. Ela emergiu com muita força e os formadores assumiram a responsabilidade de levar mais a sério o conhecimento atualizado do fenómeno das migrações: fluxos, tendências, causas e consequências das migrações no mundo inteiro”, adiantou.

A preparação “mais sólida” dos formadores de candidatos ao sacerdócio foi uma determinação deste encontro internacional, que iniciou no dia 20 de setembro.

PR

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