Migrações: A diversidade cultural «não é ameaça» à unidade da Igreja

Missionários da diáspora da língua portuguesa estiveram reunidos, em Roma, para refletirem sobre «diversidade de rostos da igreja».

Roma, Itália, 31 out 2023 (Ecclesia) – A diversidade cultural “não é ameaça” à unidade da Igreja, concluíram os missionários da diáspora da língua portuguesa que estiveram reunidos, de 23 a 27 deste mês, em Roma (Itália) para refletir sobre «diversidade de rostos da igreja».

“A diversidade cultural, fruto da aceleração da globalização, que está sempre mais presente nas paróquias, movimentos e comunidades migrantes não é, de maneira nenhuma, ameaça à unidade da Igreja: família de rosto pluriforme”, lê-se nas conclusões enviadas à Agência ECCLESIA.

“Uma Igreja, uma diversidade de rostos: os fundamentos da diversidade eclesial”; “Diversidade cultural, desafios e oportunidades para a Igreja no contexto atual” e “Que novos rostos para uma Igreja inculturada no século XXI?” foram temas neste encontro que contou com 40 agentes pastorais – sacerdotes, religiosas e leigos – comprometidos no acompanhamento espiritual e missionário dos emigrantes portugueses e lusófonos (caboverdianos, brasileiros, guineenses, entre outros) no continente europeu.

Numa Europa em “crise de valores e imaginação, em mutação cultural que se divide ao pensar e ao agir sobre os fluxos migratórios atuais; numa Europa onde aumentam os nacionalismos e se assiste ao crescendo do racismo, xenofobia e violência; numa Europa onde as igrejas locais prosseguem o seu processo de reestruturação geográfica e económica nas paróquias e dioceses para se adaptarem às consequências da secularização e relação com os Estados laicos”, os participantes do Encontro que veem nas mudanças “não uma situação de agonia, mas um novo parto rumo a uma nova vida.

A língua portuguesa que congrega, em contexto de migração, cristãos de “diferentes culturas e nações numa única comunidade cristã lusófona é um compromisso de evangelização e testemunho da universalidade na Igreja local: porção de povo de Deus”, referem as conclusões.

O reconhecimento recíproco da diversidade de situações e culturas – da parte da comunidade autóctone e comunidade migrante – “é condição para a proximidade, solidariedade e o encontro entre pessoas e povos” porque o “processo de inculturação da fé exige conhecimento, escuta, discernimento e oração à luz da dinâmica pascal: paixão, morte e ressurreição”.

As igrejas locais na Europa apresentam uma “diversidade de modelos pastorais, consoante a particular situação eclesial, no acompanhamento espiritual e missionário dos migrantes e refugiados ao ponto de, em certos casos, se afastarem das Orientações Pastorais Comuns do Dicastério para o sector da Mobilidade Humana”, lê-se.

A Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023 foi para as comunidades da diáspora portuguesa uma “mais-valia” para o “surgir e consolidar de grupos de jovens lusófonos”.

LFS

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