Bispos Católicos manifestam-se pela «unidade das famílias migrantes»

Cidade do México, 20 jun 2018 (Ecclesia) – A Conferência do Episcopado Mexicana (CEM) manifestou em comunicado a sua “grave preocupação” com o anúncio do governo dos Estados Unidos da América da intenção de separar cerca de “2 mil crianças migrantes” dos seus pais.

O documento contextualiza que desta forma, “o total de crianças nessa situação sobe para quase 4 mil” desde o ano passado até ao momento presente.

“Fazemos um forte apelo ao governo dos Estados Unidos para que salvaguardem a integridade das famílias migrantes e o direito de pais e filhos permanecerem unidos”, lê-se no texto assinado pelo presidente do CEM, o cardeal José Francisco Ortega.

A Conferência do Episcopado Mexicana revela também preocupação pelas “muitas crianças migrantes sozinhas ou em companhia de pessoas que não são seus pais ou responsáveis oficiais”.

“São mais propensas a serem vítimas de crime organizado ou tráfico de seres humanos. Essas crianças devem ser resgatadas por razões humanitárias e tratadas com justiça, respeitando seus direitos humanos com muito cuidado”, desenvolvem os bispos católicos.

Para estes responsáveis, a soberania política de qualquer Estado assenta “numa soberania anterior e muito mais fundamental” que é “a soberania das famílias”.

“As famílias têm uma dignidade própria e isso não é o resultado do estatuto migratório dos seus membros, mas de sua própria natureza como uma célula essencial da vida social”, observam.

Neste contexto, o documento, alerta que separar as famílias “gera consequências mais perigosas e prejudiciais para as crianças”, porque torna-as “mais vulneráveis e expostos a outros riscos”.

“Os melhores interesses das crianças têm prioridade sobre qualquer outra questão ou discussão sobre este assunto”, afirma.

A Conferência do Episcopado Mexicana realça que a situação é o resultado de uma política de migração de “tolerância zero”, que prende “todos os adultos” que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos da América, inclusive os que “procuram asilo e fogem de condições de risco e vulnerabilidade”.

“Enquanto os adultos são presos e detidos, as crianças acompanhantes são separadas dos seus parentes e enviadas para diferentes centros de detenção”, refere.

Os bispos católicos do México recordam a “preocupação” do Papa Francisco com o crescente número de crianças e adolescentes migrantes sozinhas em algumas partes do mundo.

“As famílias não devem ser separadas. Pelo contrário, o bem comum consolida-se com a unidade das famílias”, salienta o documento.

Hoje, assinala-se o Dia Mundial do Refugiado, uma iniciativa anual promovida pela ONU.

A confederação internacional da Cáritas está a promover até 24 de junho uma campanha de sensibilização em favor dos migrantes e refugiados, à qual se associaram a Conferência Portuguesa e a Cáritas com a iniciativa ‘Vem e Partilha o teu Pão’ que conta hoje com a presença do primeiro-ministro António Costa.

A “Semana Global de Ação” insere-se na iniciativa the Journey’ (partilhe a viagem), que termina em 2019, e foi inaugurada pelo Papa em setembro de 2017.

CB/OC

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