«Cristo ressuscitado reúne, acompanha e envia a Igreja» 

A Páscoa é o centro de convergência da fé e da vida da Igreja, antes de mais, porque é o ponto culminante da vida de Jesus, que permite compreender e assimilar a sua vida e a sua missão. De facto, como narram os Evangelhos, a morte violenta e inesperada do Mestre, deitou por terra a esperança de um mundo novo que tinha nascido no coração dos seus discípulos, os quais começaram a debandar, mais decepcionados do que nunca, como mostra a narração dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24).

Para os discípulos desiludidos e prostrados, a presença do Senhor ressuscitado significa, antes de mais, que Deus colocou o seu selo sobre o que Jesus viveu, realizou e ensinou e que eles tinham tido tanta dificuldade a entender e a interiorizar. Sem essa nova presença viva e vivificadora, não haveria Igreja nem missão. A própria mensagem do Evangelho, mesmo com toda a sua bondade, não teria tido validade determinante para a humanidade, se Jesus tivesse simplesmente morrido às mãos dos seus inimigos.

A ressurreição de Jesus não é apenas um regresso para o meio dos seus, a continuação da sua presença passada, interrompida pela morte. Não! A ressurreição é um regresso a este mundo, mas de modo diferente e para criar um futuro novo, uma nova realidade, uma nova compreensão da vida, uma nova esperança que se torna já presente, em cada época e em cada lugar, mas que se alarga para além daquilo que conhecemos e dominamos, para a plenitude da vida, no poder e no amor de Deus.

É uma nova presença que torna credível e viável o projeto de Jesus. Cristo vivo confirma e torna possível a reunião dos discípulos, não só os primeiros que vêm citados no Evangelho, mas todos aqueles que, ao longo dos séculos dão vida a este novo caminho de Deus entre os homens, construindo, em cada geração um mundo novo, pela força do Espírito de Jesus ressuscitado.

A nova presença de Jesus ressuscitado já não se limita aos caminhos da Palestina, mas abre-se, sem fronteiras a novos percursos e a novas histórias, e acompanha os discípulos por todos os caminhos da missão, até aos quatro cantos do mundo, em novas terras, raças e culturas. Cristo ressuscitado já não tem limites de espaço nem de tempo, mas torna-se presente onde quer que dois ou três estiverem reunidos em seu nome. Por isso, é da ressurreição e do derramar do Espírito que nasce a Igreja – a Igreja missionária – composta por todas as raças e culturas da humanidade e especialmente presente onde se sofre, se desespera, se morre, para levar vida e esperança.

Hoje, nós celebramos esta presença do Senhor, com a mesma novidade e dinamismo que os primeiros discípulos, na manhã da primeira Páscoa. Cristo ressuscitado vem dizer-nos que o caminho que percorreu, de serviço e dom da vida, não é um falhanço, mas cria novas realidades neste mundo e abre-se a um mundo novo, que só Deus pode tornar possível. Não nos tira deste mundo. Pelo contrário, quer que o tomemos a sério, que o amemos e transformemos em terra de justiça, de fraternidade e de paz. Diz que dar a vida deste modo, não é perdê-la, mas semeá-la e alargá-la a novos horizontes, onde desaparecerão totalmente o sofrimento e a morte.

É este anúncio da Páscoa viva que proclamamos também hoje, particularmente aos nossos jovens, neste biénio que a Diocese lhes está dedicando. Cristo está vivo e convida-vos à sua vida, à sua Igreja, à sua missão. Como os discípulos de Emaús, às vezes, na tristeza e na desorientação, tendes dificuldade de reconhecê-lo. Mas Ele não desiste de nenhum/a de vós; faz arder o vosso coração e conduz-vos à sua comunidade, para que possais dizer, como os primeiros discípulos: “Vimos o Senhor!“

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