Mensagem conjunta de Páscoa alerta para o ciclo de morte e destruição na região, apontando a esperança da Ressurreição face à «escuridão profunda» do conflito

Jerusalém, 27 mar 2026 (Ecclesia) – Os patriarcas e chefes das Igrejas em Jerusalém divulgaram a sua mensagem conjunta para a Páscoa, com um forte apelo ao fim imediato do derramamento de sangue e à construção da paz no Médio Oriente.
“Uma nova e devastadora guerra regional mergulhou mais uma vez a Terra Santa e todo o Médio Oriente em turbulência”, refere o texto, publicado hoje.
Num contexto marcado pelo cancelamento e adiamento de várias celebrações da Semana Santa devido à insegurança, os responsáveis cristãos denunciam o impacto das “escaladas cada vez mais violentas” e o “ciclo implacável de morte, destruição e sofrimento terrível” que afeta as populações e agrava as dificuldades económicas em todo o mundo.
Da fumaça negra destes escombros em expansão, uma escuridão profunda engolfou a nossa região, tão sufocante quanto o ar dentro do túmulo selado do Cristo crucificado. A própria esperança parece ter-nos abandonado.”

Perante um cenário descrito como de tempos “cataclísmicos”, os líderes das várias confissões cristãs da Terra Santa sublinham que a “desolação do túmulo não foi o fim da história” e que a morte não tem a última palavra, evocando a vitória e o poder transformador da Ressurreição.
“Àqueles que olham para o Senhor Ressuscitado com fé, Deus concede-lhes um novo nascimento para uma esperança viva”, pode ler-se.
A mensagem pascal deixa um desafio prático e espiritual a todos os fiéis e pessoas de boa vontade, exortando-os a trabalhar e a rezar incessantemente pelo alívio das “incontáveis multidões” que sofrem no terreno.
“Apelamos a todos para que defendam e intercedam por um fim imediato ao derramamento de sangue e para que a justiça e a paz prevaleçam finalmente em toda a nossa região devastada pela guerra”, pedem os patriarcas e chefes das Igrejas em Jerusalém.
O texto concretiza a dimensão geográfica deste grito de alerta, pedindo paz a começar por “Jerusalém e estendendo-se a Gaza, ao Líbano e a toda a Terra Santa; aos Estados do Golfo e a Teerão”.
“Com esta mesma fé profunda no poder transformador da Ressurreição de Cristo, no meio dos nossos próprios tormentos, troquemos entre nós aquela antiga saudação pascal que continua a ecoar através da eternidade: Cristo ressuscitou!”, concluem.
OC
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