«Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são» é o tema da conferência final das Jornadas Nacionais de Comunicação Social 2021

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 17 set 2021 (Ecclesia) – O diretor da Faculdade de Ciências Humanas, da UCP, afirma que a mensagem do Papa para as Comunicações Sociais 2021 “interpela a pensar dimensões muito atuais e muito pertinentes”, como a dimensão do encontro afetada pela pandemia Covid-19.

“O importante, sobretudo quando pensamos no jornalismo, é pensar que esta dimensão do ir ao encontro do outro, do ir procurar a história real que afeta o dia-a-dia das pessoas e de procurar as injustiças, obriga-nos a sair e ir ao encontro”, disse Nelson Ribeiro, em declarações à Agência ECCLESIA.

Para o diretor da Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguesa (UCP), a mensagem do Papa para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2021) procura “alertar” para o risco que a pandemia pode trazer de maior fechamento e passar-se “a reportar uma realidade que não é aquela que as pessoas experienciam”, mas que “chega através dos comunicados de imprensa, de determinados grupos” e isso é “um grande desafio para o jornalismo e para a comunicação”.

‘Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são’ é a frase de Francisco que vai orientar a conferência do professor Nelson Ribeiro no encerramento das Jornadas Nacionais de Comunicação Social 2021, promovidas pela Igreja Católica em Portugal, às 11h00, do próximo dia 24 de setembro.

“O Papa a fala da necessidade de ‘gastar a sola dos sapatos’, é uma chamada de atenção para aquilo que a pandemia talvez tenha agravado de forma explicável mas que na verdade não começou com a pandemia, é sequência da nova realidade do jornalismo, da recomposição das redações, com menos jornalistas, menos recursos”, desenvolveu.

O diretor da Faculdade de Ciências Humanas salienta que se o jornalismo quer “continuar a ser relevante e um pilar do sistema democrático” é importante que vá ao encontro das pessoas, que fale sobre as suas preocupações, sobretudo, “ir ao terreno permite descobrir histórias novas”.

O professor universitário, que já foi o diretor das rádios Mega Hits e Renascença, do Grupo Renascença, sublinha que o jornalismo não pode ser de “agenda, que apenas dá voz a determinados grupos de interesse”, que conseguem fazer-se ouvir, mas encontrar as pessoas “no seu concreto, no seu quotidiano”, e conhecer os seus problemas.

“É um desafio para o jornalismo mas é muito positivo. Aquilo que por norma os jornalistas querem fazer é ir ao encontro das histórias e não estar apenas a fazer um «copy/past». O próprio Papa fala muito sobre isso, sobre as histórias que são iguais em todo o lado e isso também é importante pensar até do ponto de vista económico”, desenvolveu.

Segundo o especialista em comunicação, media e jornalismo, um meio “dificilmente” vai gerar ou criar uma comunidade que esteja disponível para financiar a sua existência, se estiver “apenas a dar a notícia que chega através de todos os outros canais”.

“O jornalismo está a repensar o seu modelo de negócio e se há algo que hoje já sabemos é que aquilo que tem valor é o que é novo e que é diferente”, acrescentou.

‘Zoom in/Zoom out. Confinamentos e comunicação’, é o tema das jornadas que vão ser promovidas Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS), da Igreja Católica, entre as 14h30, de 23 de setembro, e as 12h30, do dia seguinte, presenciais em Fátima, mas também com transmissão online.

No setor dos meios de comunicação, Nelson Ribeiro destaca que o “grande constrangimento” dos confinamentos foi que a forma de trabalhar teve de ser repensada para as pessoas poderem estar à distância e “muitos jornalistas passaram a aprender a trabalhar a partir de casa” e indica que “há mudanças que vieram para ficar” no dia-a-dia, como “as televisões, cada vez mais, têm convidados por Skype, por Zoom”.

CB

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