Rita Figueiras, docente da UCP, sublinha «invisibilidade» do que foge às práticas dominantes

Lisboa, 30 jan 2021 (Ecclesia) – Rita Figueiras, professora na Universidade Católica Portuguesa (UCP) nas áreas de comunicação política e dos media, disse à Agência ECCLESIA que a mensagem do Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais questiona a “lógica de funcionamento” do jornalismo.

A especialista fala numa “reflexão crítica” de Francisco, que leva a pensar sobre “as práticas, a lógica de funcionamento” do jornalismo e a sua relação com as redes sociais.

Francisco lançou no último dia 23 a mensagem para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (16 de maio de 2021) tem como tema ‘«Vem e verás» (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são’.

O texto desafia os media a sair das redações para ir ao encontro do “mundo real”, particularmente em tempo de pandemia.

Rita Figueiras sublinha o alerta do Papa em relação a uma informação “mimética”, sem “diversidade de fontes”.

“É uma informação que se repete, sucessivamente, ao longo dos dias e independentemente do meio”, precisa.

No seu texto, indica a entrevistada, o Papa denuncia a “invisibilidade” das histórias que saem fora da “fotocópia” jornalística.

“A pandemia colocou todas as áreas da nossa vida num microscópio e começamos a ver, ampliados, todos os grandes problemas que já lá estavam”, acrescenta.

A mensagem papal adverte também para os riscos de manipulação da informação nas plataformas digitais.

A docente da UCP fala numa quantidade “enorme” de desinformação, que circula durante a pandemia, apelando à responsabilidade individual, de um “recuo”, para contrabalançar os dados recebidos.

A rapidez e aceleração da informação, assinala Rita Figueiras, pode promover a confusão entre “novidade e conhecimento”.

Numa sociedade de “abundância tecnológica” e “hiperdigital”, com meios disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, há uma “sobressaturação” que leva, contudo, a uma “subinformação”.

A entrevista aborda a maior presença no mundo digital, durante o confinamento, com uma “estética do amador”, que é considerada mais “autêntica”.

“Mais do que trabalhar a partir de casa, é trabalhar com a casa”, conclui Rita Figueiras.

A entrevista está no centro do Programa ECCLESIA deste domingo, na Antena 1 da rádio pública (06h00).

OC

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