Debate na Agência Lusa, em Lisboa, assinalou Dia Mundial das Comunicações Sociais, reunindo vários profissionais do setor

Lisboa, 21 mai 2026 (Ecclesia) – O jornalista Joaquim Franco, da TVI/CNN Portugal, abordou hoje os constrangimentos que os profissionais que tratam o tema religião enfrentam nas redações generalistas, num encontro promovido pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, na Agência Lusa, em Lisboa.
“O preconceito é algo que andou e anda connosco no exercício profissional”, afirmou, na iniciativa que reuniu jornalistas, membros de secretariados diocesanos de comunicação social, colaboradores de gabinetes de imprensa e assessores de comunicação.
O debate sobre a temática “informação especializada em redações generalistas” visou assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano se celebrou no passado domingo (17 de maio).
Joaquim franco partilhou a sua experiência pessoal, assumindo que é culturalmente cristão e católico na prática, condição que em nada beliscou a sua procura pela “imparcialidade” e objetividade quando se debruça sobre a temática religião.
“É uma missão jornalística aprofundar e teimar o tema do fenómeno religioso nas redações”, disse o jornalista, que lamentou que este seja tratado genericamente, muito aquém do que merece, evidenciando a sua importância na vida social.
O profissional de comunicação refletiu sobre o porquê de haver preconceito nas redações não confessionais quanto ao tema da religião, apontando que durante muitos anos relacionou-se a informação religiosa à Rádio Renascença e que há muito “desconhecimento” e “incompreensão” face ao tema.
A sessão com o tema “informação especializada em redações generalistas” incluiu também a intervenção da jornalista Ana Isabel Costa, da RTP Antena 1, que deu conta que quando começou a trabalhar o fenómeno religioso, aos 21 anos, na Voz de Leiria, da Renascença, sentiu a responsabilidade e o peso de tratar uma matéria informativa que não era decifrável para toda a gente.
“É toda uma linguagem que temos de aprender e toda uma hierarquia que temos de decifrar, como qualquer outro tema que as pessoas se entranhem”, indicou.
A jornalista lembra que procurou rodear-se dos profissionais mais experientes e especializados e que fazia sempre muitas questões.
Ao longo do tempo, Ana Isabel Costa refere que muitas vezes teve que explicar aos colegas porque é que determinado conteúdo era notícia e porque é que era importante na hierarquia noticiosa daquele dia.
A profissional alertou que o trabalho de qualquer jornalista passa por saber o máximo possível sobre o tema que está a tratar e explicar que não se trata de um nicho.
O tema da religião é um tema cultural, é um tema social, mexe com todas as áreas da sociedade e deve ser assim encarado”, defendeu.
Além disso, Ana Isabel Costa advertiu que os jornalistas não devem deixar-se condicionar pelo facto de serem ou não católicos.
Segundo a interveniente, os escândalos e polémicas na igreja devem ser tratados com o “mesmo rigor e mesma isenção” que outras notícias.

O debate foi antecedido de uma visita pela redação da Agência Lusa, durante a qual os participantes tiveram contacto com os instrumentos utilizados pelos jornalistas há 40 anos, num percurso guiado pela diretora de informação, Luísa Meireles.
A abertura do encontro ficou a cargo de Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, que deu as boas vindas aos presentes, considerando que o grande desafio que os comunicadores têm na atualidade é o diálogo sem distorções nem hostilidade, aludindo ao discurso que o Papa Leão XIV dirigiu hoje a novos embaixadores junto da Santa Sé.
Seguiu-se depois a intervenção de Luísa Meireles que introduziu o tema do encontro, “Informação especializada em redações generalistas”, indicando as várias editorias que existem na Lusa.
“O jornalismo é uma profissão de aprendizagem permanente”, afirmou a responsável, ressaltando que este ofício exige curiosidade e aprofundamento de competências por parte dos profissionais.
“Um jornalista especializado tem que cultivar as suas próprias fontes”, sublinhou.
A diretora de informação da Agência Lusa deu conta que, por vezes, os profissionais estão tão envolvidos no tema que tratam que acabam por perder “noção da notícia”, destacando, por isso, a importância de haver troca de opiniões nas redações.
Depois das intervenções dos jornalistas Ana Isabel Costa, Joaquim Franco e Octávio Carmo, e da troca de opiniões entre os participantes, o presidente eleito da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, D. Alexandre Palma, encerrou o encontro.
O bispo auxiliar de Lisboa expressou a vontade deste secretariado em ir aos lugares onde tudo acontece, como foi o caso da iniciativa na Lusa, tendo sempre presente a “lógica de saída”, “de acompanhamento” e “de escuta”.
“Queremos ser companhia e ser acompanhadores destas imensas potencialidades”, disse.
Por último, D. Alexandre Palma incidiu sobre a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, partilhando que a “interrogação maior” com que ficou deste texto foi a ideia de simulação de realidade pela tecnologia digital.
| O Vaticano divulgou a 24 de janeiro, data em que a Igreja Católica celebrou a festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Comunicações Sociais 2026, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, na qual adverte para o impacto da tecnologia no relacionamento pessoal e no “tecido social, cultural e político das sociedades”.
No passado domingo, na recitação da oração do ‘Regina Caeli’, desde a janela do apartamento pontifício, o Papa recordou a celebração, encorajando todos, nesta era da inteligência artificial, a empenharem-se na promoção de formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual deve orientar-se toda a inovação tecnológica”. O Dia Mundial das Comunicações Sociais é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se, em cada ano, no domingo antes do Pentecostes (17 de maio em 2026). |
LJ







