Informação generalista, assessoria de imprensa, imprensa regional, conteúdos digitais, eventos online e a chamada geração Z foram temas em análises nos grupos de trabalho

Lisboa, 24 set 2020 (Ecclesia) – As Jornadas Nacionais de Comunicação Social afirmaram hoje a importância de a informação “contar histórias de pessoas”, “falar sobre o bem que acontece” com “autenticidade” e assumiu a crescente mobilização do público no digital.

Estas foram algumas conclusões dos grupos de trabalho que durante a tarde do primeiro dia das Jornadas, que este ano decorrem em plataforma online, vieram evidenciar, mostrando uma participação alargada dos inscritos.

No grupo de trabalho sobre «Informação», conduzido pela jornalista Bárbara Wong, do jornal «Público», os participantes apontaram a importância de “ter tempo” para “refletir e interpretar” o fluxo de informação que durante a pandemia circulava.

“Houve pouco tempo para refletir sobre a informação: de manhã publicávamos uma notícia que à tarde seria outra. Precisávamos tempo para refletir e interpretar a informação”, indicou.

Os jornalistas, “mais do que números e estatísticas”, gostariam de ter contado “histórias” de pessoas que viveram a pandemia, que ficaram desempregadas – “Esse é o nosso papel”, evidenciou.

O lugar das “histórias e das pessoas” foi evidenciado, simultaneamente, no grupo de trabalho sobre «Assessoria».

“As coisas boas também são comunicáveis. O bem pode não abrir telejornais, pode não ser o mais importante mas também chega às pessoas. E a assessoria pode ajudar e deve ajudar a comunicá-las”, sublinhou Elizabete Caramelo, diretora de comunicação da Fundação Gulbenkian.

A responsável afirmou a importância de identificar um plano de comunicação e segui-lo.

“Comunicar hoje é difícil, há muitas notícias e informações, mas é fundamental e para isso é preciso definir um plano de comunicação e segui-lo. A assessoria de comunicação não passa apenas pela assessoria de imprensa, a comunicação é um conjunto de várias coisas para vários públicos”, assegurou

Imaginação e pró-atividade são condições essenciais para que a assessoria não seja “uma tarefa a ser cumprida”.

Francisco Santos, diretor do Semanário «Região de Leiria», indicou que a imprensa regional “pode responder a um problema concreto de uma rua ou comunidade”.

Garantia de um estado de direito, da democracia e na luta contra o populismo, contra o avanço da propaganda e as notícias falsas, o jornalista apontou a “quebra de receitas e ausência de políticas de apoio” que os jornais regionais estão a sofrer.

A imprensa regional está a ser “desafiada pelo digital”, atualmente também “pelo teletrabalho”, e pela “relação deteriorada dos CTT, por um problema de distribuição”.

Francisco Santos lamentou uma “falta de cooperação” e assinalou a importância de “se colaborar mais nas redações”, frisando que as pequenas “vilas, cidades e concelhos pode ser muito afetada sem uma imprensa regional forte e atuante”.

“A imprensa regional está muito associada à diáspora mas vivemos num tempo que nos convida não apenas a olhar para os portugueses que vivem no estrangeiro mas também os estrangeiros que vivem no nosso território. Trata-se de um princípio de inclusão muito relevante para uma sociedade mais justa”, indicou.

Filipe Canto Moniz, da agência Moon, manifestou uma “relação próxima entre a assessoria de imprensa e o publicidade”, evidenciada na forma como as marcas “comunicaram durante o confinamento”.

A pandemia “mudou a forma de comunicar” e importa, sublinhou, catalizar o público que “adotou as soluções digitais pela primeira vez”.

O responsável sublinhou a importância que os “meios tradicionais, em especial a imprensa” tiveram para, repor a verdade no meio da “desinformação que houve nas redes sociais”, quanto meios de “confiança”.

António Mendes, diretor da RFM, abordou no grupo de trabalho «Eventos on line» a importância da criatividade

“Criatividade não tem de ser cara. A rádio não é só microfone, a imprensa não é só papel, e a televisão não é só câmara. Perante os parcos recursos há que estabelecer parcerias e saltar o muro”, foi conclusão no grupo de trabalho.

Sendo uma marca “reconhecida e com projeção”, a RFM procura apresentar-se nas múltiplas plataformas, “adaptando conteúdos”.

O responsável afirmou ainda a necessidade de “criar oportunidades comerciais”.

“A rádio é um meio «transmedia» que usa as outras plataformas digitais para contar histórias; as suas ações são operações com os mínimos recursos possíveis; precisamos de colaborar seja com financiadores, seja com entidades com os mesmos interesses que nós e nos ajudam a viabilizar”, resumiu.

Fernando Costa, da DCK Boardshorts, deu conta da oportunidade que as redes sociais representam para serem apresentados conteúdos com “qualidade e autenticidade”.

“O conteúdo existente nestas plataformas digitais e que esta geração assiste é maioritariamente vazio, cheio de nada, com muita porcaria, mas onde há uma oportunidade de inserir conteúdo construtivo dentro desta realidade”, sublinhou.

À geração Z que “vive exclusivamente on line”, para quem “o facebook é para os pais e avós”, ainda se move “no instagram”, mas está maioritariamente no Tiktok, importa comunicar com “autenticidade”.

“Por mais que não gostemos ou que nos custe temos que nos adaptar às novas realidades, e para chegar à geração Z temos de ir às redes sociais. Temos de estar lá frequentemente, oferecer conteúdos e fazê-lo com autenticidade. Muito conteúdo é falso e vazio – vê-se a cultura do corpo e da futilidade – o que pusermos de autêntico e genuíno e marcar a diferença, vai inevitavelmente sobressair”, finalizou.

LS

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