Associação de Imprensa de Inspiração Cristã alerta para a «grande incógnita» acerca das prioridades do próximo Governo para o setor

Foto Agência ECCLESIA/PR

Fátima, 21 jan 2022 (Ecclesia)  – O presidente da direção da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã afirmou hoje que o “deserto noticioso” em muitos concelhos fragiliza a coesão territorial e disse que a distribuição postal está a “aniquilar” projetos jornalísticos regionais.

“Temos um grande adversário, que é a distribuição postal. A distribuição postal está a aniquilar – e é este o termo, não quero ser simpático com as palavras – os projetos jornalísticos regionais”, afirmo Paulo Ribeiro.

No fim dos trabalhos da Assembleia Geral da AIC, que decorreu hoje em Fátima, o presidente da direção da associação denunciou a quebra do “contrato de confiança” entre o leitor e um jornal por causa do atraso na distribuição postal dos títulos, afirmando que o leitor “sente-se defraudado” e leva a “quebra de muitas assinaturas”.

Quando o leitor faz uma assinatura com um jornal, há um contrato de confiança que é estabelecido entre o jornal e o leitor. Se esse jornal demora 3, 5, 6 dias a chegar ao destino, porque os correios não cumprem o prazo legal que está estabelecido, há um contrato de confiança que é quebrado”.

Paulo Ribeiro referiu-se também ao aumento dos custos de produção, onde o fator mais relevante é o custo do papel de jornal.

“Há escassez do papel do jornal no mercado internacional, dado que os grandes fornecedores de papel optaram por investir noutras áreas de negócio, nomeadamente nas entregas de encomendas, que faz com que haja poucos produtores de papel de jornal e uma subida do preço do custo”, afirmou.

O presidente da AIC afirmou também que “há uma grande incógnita” acerca das prioridades do próximo Governo para o setor, nomeadamente a imprensa regional, e sublinhou a importância do “apoio público e transparente” e que reforce “a coesão territorial”.

Para Paulo Ribeiro, “um deserto noticioso” em muitos concelhos do país é “prejudicial para as próprias comunidades porque não têm um referencial jornalístico a quem possam recorrer”

“Há muitos concelhos sem um único órgão de informação e isso é muito preocupante”, afirmou.

Ao desaparecer o jornal é a própria democracia local que fica pobre e a comunidade que fica órfão de um acesso a um bem cada vez mais importante: a informação”.

O presidente da AIC lembrou que “a coesão territorial faz-se através de projetos que possam unir pessoas”, onde a “comunicação social de proximidade tem um papel preponderante”.

Paulo Ribeiro realçou a “resiliência” de muitos projetos jornalísticos durante o tempo da pandemia, como aconteceu em “muitos períodos adversos ao longo da história”, e desafiou os títulos da imprensa regional a se “readaptarem”, uma vez que os “tempos novos não se compadecem com mentalidades antigas”.

A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã realizou hoje a Assembleia Geral, onde foi reeleito para presidente, para um segundo mandato, Paulo Ribeiro.

PR

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