«A minha opção de vida é ser peregrina», assinala Nealtina, das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição

Linda-a-Pastora, Lisboa, 17 mai 2011 (Ecclesia) – A irmã Nealtina acredita que para optar definitivamente pela consagração religiosa “só é preciso ter coração para colar ao sofrimento das pessoas, olhos para ver e vontade para agir”.

A religiosa nascida na Guiné-Bissau faz parte das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (Confhic), cuja cofundadora, Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899), também conhecida por Mãe Clara, vai ser beatificada este sábado, em Lisboa.

“A minha opção de vida é ser peregrina, andar e ir aonde for preciso”, revelou a irmã, entrevistada na segunda-feira pelo programa da ECCLESIA na Antena 1, que esta semana dedica as suas emissões à congregação.

Nealtina, de 35 anos, partiu para Portugal em 1996 com o objetivo de realizar a formação inicial na Confhic, depois de ter conhecido o trabalho desenvolvido na Guiné-Bissau, território onde a congregação chegou em 1893.

“Ser religiosa não era o meu primeiro sonho”, reconhece Nealtina, mas os seus planos mudaram depois de uma convivência próxima com a congregação instituída em Lisboa a 3 de maio de 1871, e que atualmente se encontra em 14 países.

A disponibilidade das irmãs sensibilizou Nealtina: O que mais me impressionou foi o facto de serem missionárias, de estarem a trabalhar conosco e não serem da nossa terra e da nossa raça”, assinala a religiosa, que também foi atraída pela fraternidade: “Não tinham nenhum laço de sangue” e ainda assim “viviam para um ideal comum”.

A missão da Confhic na Guiné compreende a educação (da infância, juventude e adultos), o combate à fome, os cuidados de enfermagem e a colaboração no trabalho pastoral das paróquias.

“Chamou-me a atenção a dedicação ao outro, a vontade de minimizar os sofrimentos, fazendo o bem onde ele estivesse por fazer”, acentua a religiosa, há 12 anos ligada à congregação que tem por lema ‘Lucere et Fovere’ (‘Iluminar e Aquecer’).

Das ações da Confhic que Nealtina testemunhou, uma das que mais a tocou foi a promoção do sexo feminino: “Entre muitas pobrezas, a que mais me inquietava era a das mulheres não poderem decidir as suas próprias vidas, sujeitando-se a fazer o que as outros queriam para elas, correndo muitas vezes o risco de passarem uma vida infeliz”.

As mulheres constituem o setor mais pobre da população, explica Nealtina, e a congregação oferece-lhes noções de higiene, ajuda-as a realizar tarefas domésticas e a preparar refeições, além de perscrutar as suas inquietações: “As irmãs vão ter com elas só para as escutar, pois têm muitas coisas para dizer e ninguém que as ouça”.

A vertente espiritual foi também decisiva: “Como africana e como mulher, queria pertencer a alguém que me dissesse alguma coisa desde dentro”, acentua a religiosa que em 2007 se uniu decisivamente à congregação ao professar os votos perpétuos.

Nealtina é hoje professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em Vila Nova de Gaia, depois de um percurso vocacional marcado pela liberdade de escolha.

“Se alguém fizer a opção pela vida religiosa sem liberdade, não aguenta, não será feliz nem poderá fazer feliz a vida de ninguém. E quando a vida não é para tornar feliz a vida dos outros, então não vale a pena”, salienta.

LS/RM

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