Maria José Castro é a colaboradora há mais tempo no ativo e, com D. Teodoro de Faria, vai ser homenageada este domingo

Foto Jornal da Madeira, Maria José Castro

Funchal, 05 mar 2021 (Ecclesia) – A Diocese do Funchal vai homenagear a voluntária mais antiga no ativo na Cáritas Diocesana, que colabora há 40 anos nas ações solidárias da região e tem “bastante vontade de continuar a ajudar os outros”.

“Já tenho 90 anos e tenho bastante vontade de continuar a ajudar os outros, com certeza”, disse Maria José Castro em declarações à Agência ECCLESIA.

Voluntária desde 1980, Maria José recorda as cheias de fevereiro de 2010 e os incêndios em agosto de 2016 como os momentos “mais dramáticos” da história recente que exigiram respostas sociais, com a “Cáritas sempre presente, mesmo não tendo muitos meios”.

“Estava tudo em campo. Até o próprio povo foi solidário e ajudou naquilo que sabiam fazer”, lembrou.

Maria José Castro disse que, quando iniciou a sua colaboração, o trabalho da Cáritas consistia na “distribuição de alimentos e de vestuário” e progressivamente foi promovendo o atendimento e o diálogo com as pessoas que eram ajudadas

“Era um atendimento muito formal, muito frio. Aquilo não me agradava muito… Mais tarde, resolvi modificar o atendimento e deparei-me com pessoas que estavam ansiosas para falar, mas não tinham confiança”, afirmou.

A voluntária da Cáritas do Funchal diz que se colocou na pele de cada pessoa que pede ajuda, das “carências que elas tinham” e ficou impressionada com as histórias de quem tinha diferentes tipos de necessidades.

“Vi que havia sobretudo uma falta de afeto, de carinho, de amor entre a família”, sublinhou.

Na ajuda e nas conversas junto das pessoas que precisam de ajuda, Maria José Castro refere que nunca esquece a “parte religiosa”, sempre com a Palavra de Deus presente e a motivar o ânimo e a “dar orientação” à vida de muitas pessoas.

Maria José continua atenta a quem precisa, no contexto da atual pandemia e lamenta que tudo esteja a “voltar ao princípio”, com o aumento da pobreza e falta de condições de vida, nomeadamente de habitação.

“Hoje, com esta pandemia, volta tudo ao princípio: tudo confinado em suas casas, casas antigas e degradadas, pequeninas e com muita gente. Foi tudo estragado com esta pandemia”, lamenta.

Maria José Castro diz-se “surpreendida” com a homenagem que a Cáritas Diocesana lhe vai prestar, justificando a distinção com o facto de ser a voluntária há mais tempo no ativo.

“Estou feliz com isso porque vejo que as pessoas têm uma certa atenção para comigo”, afirmou.

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, vai presidir à celebração do Dia Cáritas este domingo, às 12h00, na Igreja do Colégio, na cidade do Funchal, e no fim da celebração vai ser prestada homenagem a D. Teodoro de Faria, bispo emérito do Funchal que fundou a Cáritas na Madeira, e também a Maria José Castro, a voluntária mais antiga da instituição.

PR

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