Madeira: Bispo do Funchal desafia diocesanos a viverem Semana Santa como «verdadeiros discípulos de Jesus»

D. Nuno Brás celebrou Eucaristia de Domingo de Ramos, na Sé

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

Funchal, Madeira, 30 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal desafiou os diocesanos a viverem a Semana Santa como “discípulos do Senhor”, na Missa de Domingo de Ramos a que presidiu na Sé.

“Disponhamo-nos a ser verdadeiros discípulos do Senhor. A aprender dele, a escutar como escutam os discípulos, para podermos proclamar a todos a sua salvação — quer dizer: para transformarmos esta nossa humanidade de orgulhosos egoístas, numa humanidade de verdadeiros discípulos de Jesus”, afirmou D. Nuno Brás, na homilia.

Na intervenção disponibilizada no site do Jornal da Madeira, o bispo recorda que “o próprio Jesus, na sua missão salvadora, assume a atitude de discípulo, de Filho obediente, de acordo com o hino da Carta aos Filipenses” escutado na IIª Leitura.

“Enviado pelo Pai para a obra de salvação, Jesus como que se esqueceu da sua condição divina: esqueceu-se de quem era e dos seus direitos de Primogénito, para descer à nossa condição de criaturas e de pecadores, identificando-se com todos e com cada um, ao ponto de experimentar a morte”, lembrou.

Segundo D. Nuno Brás, é este o caminho pascal que, ao longo de toda vida (mas em particular nesta semana que agora se inicia) o Pai “convida a viver”.

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

“É o caminho do Servo, do discípulo. É o caminho de Jesus, Ele que tudo aprende e recebe do Pai. É o caminho da salvação — da nossa salvação e da salvação do mundo”, indicou.

No início da homilia, o bispo diocesano enfatizou que o “Domingo de Ramos na Paixão do Senhor” surge “no início da Semana Santa como um autêntico pórtico”, isto é, convida cada um “a entrar no dinamismo pascal dos dias que se aproximam”.

D. Nuno Brás lembrou que Cristo chamou os discípulos a “partilhar a sua existência — a aprender, a ver, a escutar e a crescer interiormente”, de modo que pudessem ser a “Sua continuação”, “a ser Igreja”, “a presença, a extensão do Verbo feito carne ao longo dos tempos e em todos os lugares”.

“No entanto, nestes momentos últimos, decisivos, os discípulos dão mostras de não conseguirem perceber os acontecimentos: estão sonolentos, traem, negam, fogem, são tomados pelo pânico. Apenas umas mulheres, ao longe, vão acompanhando o Senhor”, declarou.

O bispo evocou a dificuldade que estes tiveram em “entender Jesus, não tanto por causa dos poucos estudos ou do pouco talento natural, mas, sobretudo, porque o Deus feito Homem ultrapassava de sobremaneira as capacidades, o engenho humano, sempre pequeno, estreito de pensamento e coração, inclinado para o mal”.

“Sabemos que assim foi porque, sobretudo, aos discípulos lhes faltava o Espírito Santo, que iria terminar neles a iniciação à vida cristã recebida enquanto conviveram com Jesus — o Espírito que os haveria de assistir no resto da sua vida, em particular nos momentos de combate decisivo”, expressou.

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

Para D. Nuno Brás, “o facto que ressalta, no entanto, é esta incapacidade natural dos discípulos”.

“Se, por um lado, ela nos conforta, por outro (a nós que já recebemos o Espírito da verdade) faz-nos sentir bem mais pequenos, requerendo em nós a humildade que é própria dos discípulos, pondo de lado qualquer orgulho ou soberba”, realçou.

A Igreja Católica iniciou, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

LJ/OC

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