Tony Neves

Frio, muito frio. Mas Missão, muita Missão foi o que vi e vivi por terras escocesas. Os Missionários Xaverianos acolheram os Espiritanos, em Coatbridge, para a reunião anual dos Coordenadores Europeus de Justiça, Paz e Integridade da Criação. Foi um encontro com muita partilha do que de bom se vai fazendo por essa Europa fora nestes âmbitos tão vitais para o mundo de hoje. Foi bom, em dias em que os media só falavam dos avanços e recuos da telenovela do Brexit, escutar os Relatórios.

A questão dos imigrantes continua central numa Europa que abre e fecha portas a quantos chegam por terra, ar e água, fazendo do Mediterrâneo um cemitério a céu aberto. A Irlanda tem uma instituição, a SPIRASI que acolhe e apoia imigrantes e refugiados; a Grã-Bretanha tem a REVIVE e Portugal o CEPAC com a mesma Missão.

Este Encontro Europeu dos Missionários Espiritanos fez uma aposta forte também na formação. Contou com dois especialistas naquilo que se chama a advocacy, ou seja, a arte de intervir junto de quem toma decisões políticas importantes para evitar que sejam tomadas más decisões que penalizem os mais pobres, atacando o mal na sua raiz. E, sobretudo, há que garantir o respeito pela dignidade das pessoas e seus direitos. O grupo contou com as intervenções de Andrzej Owca (que trabalha na VIVAT Internacional, junto das Nações Unidas em Genebra) e com Chika Onjejiuwa (que trabalha na Rede Fé e Justiça ‘Africa-Europa’, junto da União Europeia, em Bruxelas). Ambos Espiritanos, trabalham nestas Organizações Internacionais fundadas por Institutos Religiosos. Nestas questões delicadas dos direitos humanos, é preciso saber sempre quem é titular de direitos, quem é titular de obrigações e quem é defensor dos direitos. A Igreja, as Congregações…têm que fazer parte do sempre pequeno grupo que defende os direitos dos mais frágeis.

O Encontro aconteceu por ocasião do Dia Mundial das Missões e houve uma participação massiva na Celebração Nacional Missionária presidida pelo Arcebispo de Motherwell e Edimburgo na Catedral. A homilia seria feita pelo P. Eamonn Mulcahi, Espiritano de Manchester. Falou da urgência da Igreja ir até às periferias e margens para anunciar o Evangelho da Justiça e da Paz. Partilhou a sua experiência missionária ao dizer que trabalhou no Congo, na Nigéria e no Quénia, mas fez a maior experiência de periferia quando chegou a Manchester e viu os jovens toxicodependentes e desempregados na sua Paróquia de Ancoats. Falou de uma Igreja com pontes e sem muros e pediu aos pastores que tivessem o cheiro das suas ovelhas, como insiste o Papa Francisco.

Houve ainda tempo para o grupo visitar o Museu das Minas de Carvão de Summerlee. A descida às minas ajuda a perceber a dureza da vida de famílias inteiras, incluindo crianças, que nunca viam a luz do dia. Desciam à mina antes do sol nascer e de lá saíam após o sol posto. Mal pagos, sem alojamento nem alimentação adequados, a média de idade de vida era muito baixa e as doenças muitas. As minas seriam fechadas após grandes lutas sindicais.

No caminho de regresso a Edimburgo, pude ficar dois dias em Carfin, a Comunidade Espiritana que situada mesmo em frente do maior santuário nacional. Este é um espaço de peregrinações com réplicas de Lourdes, Fátima e Czestochowa em que os padroeiros são S. Francisco Xavier e S. Teresinha do Menino Jesus, mas onde muitos outros santos e santas têm estátuas e evocações.

A Justiça, a Paz e a Ecologia Integral têm cada vez mais espaço na Missão Espiritana porque são valores essenciais gravados nas páginas dos Evangelhos.

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