«Foi Canidelo que veio até à Guiné» disse padre Almiro Mendes sobre viagem de solidariedade

D.R.

Bissau, 15 fev 2018 (Ecclesia) – O pároco de Canidelo (Vila Nova de Gaia), na Diocese do Porto, afirmou que “foi toda a paróquia” que fez a viagem solidária até “à Guiné”, para entregar um jipe à Diocese de Bafatá.

“Tenho a esperança de que os paroquianos tenham essa consciência, que é uma paróquia missionária”, disse hoje o padre Almiro Mendes, à margem da visita ao orfanato de Bambaram.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o sacerdote realçou que numa “dinâmica de solidariedade e abraço à Guiné-Bissau” “não” foi apenas o pároco que viajou com um jipe para a Diocese de Bafatá, oferecido pelo bispo do Porto D. Manuel Linda, mas “todos” na comunidade paroquial em Vila Nova de Gaia.

Para o pároco de Canidelo, que já viveu durante um ano inteiro em missão no país lusófono, quando se vai para a Guiné atraca-se “num porto de dificuldades, de sofrimentos”.

“Magoamo-nos muito nas feridas desta gente. Sempre me magoei muito na dor alheia na Guiné”, observa, referindo que quando se parte vai “todo esse mundo de sofrimento, mas também a vontade de voltar”.

Neste contexto, regressar ao “5.º país mais pobre do mundo”, para levar um jipe que vai “salvar vidas”, porque também funciona como ambulância, para o padre Almiro Mendes “é sempre uma graça”.

A viagem começou a 3 de fevereiro, no paço episcopal do Porto, e os missionários – 4 padres e quatro leigos em dois veículos – fizeram 5800 quilómetros passando por Espanha, Estreito de Gibraltar, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Senegal até à Guiné.

“Os veículos foram absolutamente heróis e os passageiros ainda mais, alguns de nós ficaram com gripe e algumas dificuldades, mas conseguimos superar tudo”, assinalou na véspera dos sacerdotes regressarem ao Porto, desta vez a viagem é de avião.

O padre Almiro Mendes explicou que as estradas “são muito más”, por exemplo, atravessaram a Mauritânia que tem “um piso absolutamente tenebroso”, mas os carros “aguentaram muito bem”.

“Uma viagem que não é fácil, nem rápida, impõe muitas dificuldades pela distância, pelo estado das estradas, dificuldade em passar fronteiras, mas correu muito bem, foi uma viagem com muito sucesso”, desenvolveu.

O sacerdote que viveu este gesto de solidariedade pela sexta vez adianta que todos as outras viaturas estão a “funcionar”, e a primeira foi oferecida em 2007, quando ainda era pároco de Ramalde (Porto).

“É uma das coisas que me deixa jubiloso e feliz, saber que todos os carros estão todos a funcionar”, revelou, assinalando que, “às vezes, nem aos olhos se consegue negar as lágrimas” por pisar o chão de “um povo tão sofredor, tão pobre”.

Com o padre Almiro Mendes, no jipe oferecido pelo bispo do Porto, foram mais três sacerdotes – os párocos de Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia), da Trofa e de Macieira da Lixa (Felgueiras).

À viagem associaram-se quatro leigos que levaram uma pick-up para ficar ao serviço de uma ONG e, futuramente, vai ser enviada também uma ambulância, oferecida pelos Bombeiros de Vila Meã ao “único hospital pediátrico” de Bissau, que, deve ir de barco porque “não pode atravessar o deserto”.

“É admirável como é que também os leigos se associam a esta dinâmica de solidariedade; é também a sociedade civil empenhada nesta causa”, disse o padre Almiro Mendes sobre a participação dos leigos e dos bombeiros, no início deste mês antes da viagem começar.

O gesto de solidariedade da Diocese do Porto, através do seu bispo que também transferiu uma “considerável quantia de dinheiro para ajudar as missões mais pobres”, dá continuidade a uma colaboração com a diocese lusófona da Guiné-Bissau iniciada em 2005.

CB/OC

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