«As melodias dele preenchem os espaços religiosos de norte a sul e de ilhas, e também alguns países lusófonos», destacou o padre Rui Silva
Lisboa, 08 mai 2026 (Ecclesia) – O Serviço de Música Litúrgica do Patriarcado de Lisboa promove um simpósio para assinalar o centenário do nascimento do padre Manuel Luís (1926-1981), este sábado, dia 9 de maio, no auditório da Paróquia de Cristo Rei da Portela.
“As melodias dele preenchem os espaços religiosos de norte a sul e de ilhas, e também alguns países lusófonos. O seu legado foi tão importante que inspirou inclusive outros compositores, a prosseguir na mesma senda, trata-se de um compositor que vem ajudar na transição pós Vaticano II, basicamente”, disse o diretor do Serviço de Música Litúrgica do Patriarcado de Lisboa, esta sexta-feira, 8 de maio, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O padre Rui Silva explica que a renovação litúrgica na Igreja “tinha começado um pouco antes do Vaticano II”, e o concílio “é, de alguma forma, o corolário desse percurso”, surgiram novos textos litúrgicos, novas formas, “por exemplo, o Salmo Responsorial foi muitíssimo valorizado”, e eram necessárias composições, e cânticos “para que as pessoas cantassem” e foi esse “o grande legado que deixou o padre Manuel Luís”.
Foi esta transição de um tempo novo que começou a surgir, é verdade que houve exageros, como é habitual quando há uma grande mudança no rumo da Igreja, e o padre Manuel Luís assegurou uma continuidade com a tradição da Igreja, sobretudo de âmbito gregoriano, as suas composições, não sendo gregorianas, são claramente inspiradas nesse tipo de música”, acrescentou.
Segundo o sacerdote, um dos aspetos que a reforma litúrgica trouxe “foi a importância da participação da assembleia”, e o padre Manuel Luís dizia que “uma celebração é tanto mais solene, quanto mais é participada”, por isso as suas composições “estão ao alcance do público em geral”,
“Nalguns tempos litúrgicos, em específico, quando as suas composições têm recurso a modos gregorianos, não são tão fáceis ao ouvido, mas há outro tipo de composições que as pessoas cantam por todo lado, sem qualquer instrução musical, e permitiu efetivamente aos fiéis irem participando mais ativamente nas celebrações, que é um dos propósitos do Concílio Vaticano II, de sugerir esta participação plena de todos aqueles que tomam parte numa Assembleia Eucarística”, desenvolveu o padre Rui Silva.
O padre Manuel Luís (1926-1981) formou-se nos seminários do Patriarcado de Lisboa – Santarém, Almada e Olivais -, estudou Música Sacra e Canto Gregoriano, em Roma, e quando regressou assumiu “as funções de formador” no Seminário dos Olivais, “onde lecionou Teologia Pastoral, Espiritualidade”, e começou também a acompanhar o coro polifónico da instituição, e dirigiu também o coro da Sé Patriarcal.
O diretor do Serviço de Música Litúrgica do patriarcado sublinha que este sacerdote “foi inspirador para aquilo que em Lisboa se fazia”, mas destaca “outra figura igualmente importante”, não sendo um compositor, o cónego José Ferreira que trabalhou com o padre Manuel Luís, “e foi sendo um elemento de continuidade e de inspiração e de formação” de quem se prepara para o sacerdócio.
“A partir daí surgiram outros compositores, por exemplo temos ainda em atividade o padre Teodoro Sousa, que foi aluno do padre Manuel Luís, e outros mais jovens que bebendo desta corrente têm o mesmo desejo de compor para a liturgia, o padre Pedro Araújo, o padre Diamantino Faustino, entre outros, não apenas padres”, indicou, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, sobre “toda uma escola e uma sensibilidade para a importância da música litúrgica”.
Segundo o padre Rui Silva, que comentou também as leituras para o próximo domingo, o VI da Páscoa, na liturgia, a música “é serva quer do texto bíblico ou da inspiração bíblica, quer do rito, quer da celebração”, e, “genericamente, a música é litúrgica quando ela serve à liturgia”, mas, para que isso aconteça, “tem de estar em harmonia, em sintonia com o espírito litúrgico, tem de servir a palavra de Deus”, que é uma expressão que o padre Manuel Luís “muitas vezes recordava nas suas conferências”.
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