Lisboa: «Santo António continua a ser um sal capaz de transformar a humanidade» – D. Rui Valério

Patriarca destacou a atualidade do testemunho do santo lisboeta nestes “tempos tão complicados, com tantos desafios”.

Foto: Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 13 jun 2026 (Ecclesia) – O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa da Solenidade de Santo António, celebrada na manhã deste sábado, 13 de junho, na Igreja de Santo António à Sé, no coração da cidade, e destacou a atualidade do testemunho do santo lisboeta como proposta de santidade para os dias de hoje, marcados por “tempos tão complicados, com tantos desafios”.

Na celebração que reuniu fiéis, movimentos, ordens e confrarias ligadas a Santo António, o Patriarca de Lisboa sublinhou, na saudação inicial, que o santo não é apenas uma figura do passado, mas “uma proposta e um projeto de santidade para cada um de nós”, recordando a ligação profunda entre o pregador e a cidade de Lisboa.

“Santo António é uma figura ímpar, nosso conterrâneo, um santo que nós hoje recordamos e veneramos, não como sendo um santo do passado, mas como sendo uma proposta e um projeto de santidade para cada um de nós”, afirmou D. Rui Valério.

O Patriarca convidou ainda os presentes a um momento de recolhimento interior, interrogando: “Que graças hoje eu quero agradecer por Santo António ao Senhor? Que graças, que súplicas, hoje eu, por Santo António, quero elevar a Jesus?”.

Na homilia, D. Rui Valério partiu da imagem evangélica do sal para descrever a missão e a atualidade de Santo António, afirmando que o santo “foi e é ainda hoje um sal capaz de salgar uma humanidade”, dando sentido e esperança.

“O sabor que animava o coração de Santo António era o sabor da fé, era o sabor de Deus, era o gosto de Jesus Cristo, era o sabor de servir os irmãos, particularmente os mais pobres”, afirmou.

O Patriarca de Lisboa sublinhou que este testemunho continua a interpelar o mundo atual, marcado por “paisagens imensas de solidão” e por um “deserto” que resulta da ausência de Deus. “Essa solidão e esse deserto é o rosto da ausência de Deus, do abandono de Deus, do afastamento de Deus”, alertou.

Perante este cenário, D. Rui Valério destacou o desafio lançado por Santo António à Igreja e à sociedade: anunciar o Evangelho como resposta aos desertos contemporâneos.

Da vida de oração de Santo António, D. Rui Valério apontou duas consequências fundamentais: o amor aos pobres e o acolhimento da cruz.

“O amor a Deus abre o coração ao próximo. Quando nós nos abrimos a Deus, no nosso coração passa a haver lugar para todos”, afirmou.

Ao mesmo tempo, recordou que Santo António não acreditava “nas coisas fáceis”, mas numa fé vivida com exigência, marcada pela cruz: “Não há redenção sem cruz, não há salvação sem calvário, não há ressurreição sem morte”.

LFS

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