Cardeal-patriarca evocou o «cerne do realismo cristão» na Celebração da Paixão

Foto Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 03 abr 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou esta Sexta-feira da Semana Santa que a morte de Cristo na Cruz é um “acontecimento que se impôs” e continua em quem pede “de comer e de beber” ou “clama do hospital ou da prisão”.

“Foi na cruz, onde disse que tinha sede. E continua, onde nos pede de comer e de beber, onde nos solicita acolhimento ou agasalho, onde nos clama do hospital ou da prisão”, afirmou D. Manuel Clemente.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa, a adoração da Cruz, que é o centro da Celebração da Paixão, implica ouvir a voz de quem sofre a “ressoar em tanto clamor deste mundo”, com a “firme disposição” de não ficar indiferente.

“Atendendo assim, seremos com Cristo a resposta de Deus. Como ouvimos: ‘Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, expirou’. Deu-nos o Espírito que aqui nos traz e daqui nos impele, da cruz para o mundo e do mundo para Deus”, afirmou.

D. Manuel Clemente referiu-se ao tempo presente, marcado pelo sofrimento provocado pela pandemia e questionou sobre as razões para recordar a morte de Cristo e adorar a Cruz.

“Sabemos como o acontecimento se impôs, apesar de tudo. Apesar de ter sido tão cruel e de pouca gente dar por ele, na tarde em que foi. Fora da cidade, um entre mais condenados, com alguns soldados e um pequeno grupo de fiéis”, lembrou.

O cardeal-patriarca de Lisboa disse que a morte de Cristo “Tinha tudo para ser rapidamente esquecida”, por “ser apenas mais uma e por ser sinal de maldição para qualquer judeu que fosse”, mas “impôs-se”.

Estamos no cerne do realismo cristão, mas não chegaríamos aqui só por nós, mais atreitos que somos a fugir do que a permanecer, quando a vida dói”.

“É assim que Jesus reina desde então, atraindo e segurando os que se reveem na verdade que Ele é e escutam a sua voz que os reclama. É esta a razão de estarmos aqui. Razão única, bastante e decisiva”, afirmou.

O cardeal-patriarca presidiu à Celebração da Paixão na Sé de Lisboa, num dia em que as comunidades católicas não celebram a Eucaristia, mas participam evocação e adoração da paixão e morte de Cristo na Cruz.

PR

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