Lisboa: Patriarca evoca povos e responsáveis que «subjugam nações» e alerta para «verdadeiro analfabetismo humano e espiritual»

D. Rui Valério destacou que a «ressurreição não é apenas a vitória de Cristo», mas «a possibilidade de uma humanidade nova», no Domingo de Páscoa

Foto: Duarte de Mourão Nunes/Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, estabeleceu, esta manhã, um paralelismo entre o escuro da manhã da ressurreição do Senhor e o coração dos homens, lembrando os povos que não respeitam os direitos de outros.

“Assim, [escuros] são aqueles povos e responsáveis que, obscurecidos pela ideologia, por interesses económicos, por vontade de dominar, ou simplesmente porque sim – não respeitam os direitos de outros povos e subjugam nações… E, no entanto, algo mudou: a pedra do sepulcro foi removida”, afirmou D. Rui Valério.

Na homilia do Domingo de Páscoa enviada à Agência ECCLESIA, o patriarca salienta que “num mundo que exige provas materiais para tudo, a Ressurreição apresenta-se como mistério que se revela à fé”.

Segundo D. Rui Valério, hoje vive-se uma “cultura marcada por um profundo materialismo”, que “mede tudo pelo útil, pelo imediato, pelo visível”, que “perdeu o sentido do mistério e do eterno e, assim, o sentido da vida”.

“E, por isso, cresce um fenómeno silencioso e dramático: um verdadeiro analfabetismo humano e espiritual”, alerta, indicando que “muitos sabem tudo sobre o mundo, mas ignoram o essencial sobre Deus e sobre a verdade integral do ser humano”.

“Habituaram-se a viver como se Deus não existisse. E o esquecimento de Deus levou ao esquecimento do homem pelo homem. Deste esquecimento nasceu a indiferença. Uma indiferença que não nega Deus – simplesmente O ignora, como ignora os apelos lancinantes dos frágeis, dos pobres e vulneráveis”, referiu.

A intervenção realçou que “Cristo ressuscitado é o antídoto para o vazio” do tempo atual, porque “Ele revela que o fundamento da existência não é a matéria, mas Deus”, “não é o acaso, mas o amor a Ele e aos irmãos”, “não é o fim, mas a plenitude”.

“A Ressurreição abre a porta da eternidade. E só à luz da eternidade a vida humana encontra a sua verdade”, disse D. Rui Valério.

O patriarca de Lisboa ressaltou que “a Páscoa não é apenas um acontecimento a celebrar”, “é uma vida a acolher” e que isso muda tudo, nomeadamente o “modo de olhar a vida”, “de enfrentar o sofrimento”, “de amar” e “de esperar”.

“Caríssimos irmãos e irmãs: o mundo de hoje não precisa apenas de soluções técnicas. Precisa de corações ressuscitados. Precisa de homens e mulheres que não tenham medo de Deus. Que não tenham vergonha da fé. Que não vivam fechados no imediato, mas abertos ao infinito”, ressaltou.

De acordo com D. Rui Valério, “só quando o homem se orienta radicalmente para Deus, para o transcendente, para a eternidade, é que o seu coração se liberta”.

“A Ressurreição não é apenas a vitória de Cristo. É a possibilidade de uma humanidade nova”, sublinhou.

LJ/OC

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