D. Rui Valério afirmou que uma paróquia «não pode ser apenas um lugar onde se prestam serviços religiosos»

Cascais, 06 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou que “este novo tempo pastoral” pede às comunidades que renovem “a qualidade evangélica” da sua presença, na homilia da Assembleia Diocesana, esta segunda-feira, 5 de outubro, no Auditório Senhora da Boa Nova, no Estoril.
“Uma paróquia não pode ser apenas um lugar onde se prestam serviços religiosos. Uma comunidade cristã não pode reduzir-se a horários, gabinetes, reuniões e atividades. Precisa de se tornar lugar onde alguém pode chegar e encontrar uma pessoa disponível; onde uma dor não é tratada como incómodo; onde uma pergunta não recebe imediatamente uma resposta preparada; onde alguém pode contar a sua história sem receio de ser julgado”, disse D. Rui Valério, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
O patriarca de Lisboa explicou que precisam de comunidades que sejam, “verdadeiramente, oficinas de comunhão e de solidariedade”, e afirmou que isso “não é uma estratégia sociológica para tornar a Igreja mais simpática”, mas “profundamente evangélico”, na Missa do Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral 2026-2027.
A partir da leitura do Evangelho deste dia 5 de outubro, a Parábola do Bom Samaritano, D. Rui Valério indicou que o “novo tempo pastoral” pede que as comunidades não comecem “por multiplicar atividades”, mas renovem “a qualidade evangélica” da sua presença.
“Há muitas pessoas nas nossas cidades, vilas e aldeias que talvez estejam à beira de uma estrada interior. Algumas foram feridas. Outras desistiram da Igreja. Outras nunca chegaram realmente a conhecer Cristo. Outras ainda vivem aparentemente bem, mas carregam uma pergunta escondida: «que hei de fazer para receber a vida eterna?» (Lc 10, 25)”, acrescentou, pedindo que não passem adiante, porque a missão começa quando param.
D. Rui Valério realçou que o próximo “não é apenas” aquele que encontram, mas tornam-se próximos quando decidem aproximar-se, e isso “é muito importante”, porque durante muito tempo podiam “esperar que as pessoas viessem, hoje, em muitos lugares, têm de ir, o Evangelho não mudou, “mas porque mudou a situação daqueles a quem” são enviados.
“É aqui que o tema do nosso ano pastoral, «Vinde e vede» (Jo 1, 39), ganha toda a sua força. Antes de poder dizer a alguém «vem e vê», talvez seja necessário que eu próprio vá ao seu encontro. Antes de convidar alguém a entrar, tenho de estar disposto a sair. Antes de esperar que alguém escute o Evangelho, talvez tenha de começar por escutar a sua vida”, indicou.
O patriarca de Lisboa convocou as paróquias e movimentos eclesiais para o Encontro Diocesano de Lançamento do Ano Pastoral, intitulado ‘Recomeços’, e participaram mais de 300 pessoas, esta segunda-feira, no Auditório Senhora da Boa Nova, no Estoril; o Plano Pastoral 2026-2033, até ao Jubileu da Redenção, coloca à diocese a afirmação ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14,6).
“A missão cristã não começa por perguntarmos o que devemos dizer para sermos aceites. Começa por permanecermos fiéis Àquele que recebemos. Não anunciamos uma ideia, uma ética ou uma cultura religiosa. Anunciamos uma Pessoa. E é precisamente porque não podemos alterar o Evangelho que precisamos de aprender cada vez melhor a maneira evangélica de o anunciar.”
O responsável diocesano salientou também que uma “Igreja missionária começa por reconhecer” que antes de encontrarem “pessoas sem fé”, encontram pessoas com uma história, e “corações que precisam de ser escutados”, antes de destinatários de uma mensagem.
“Pessoas cansadas de uma vida reduzida ao imediato, à velocidade, ao consumo, à imagem, à obrigação de corresponder continuamente às expectativas. Pessoas que talvez não entrem numa igreja, mas continuam a ter fome de sentido; talvez não saibam já formular uma oração, mas carregam perguntas que tocam a eternidade”, explicou D. Rui Valério.
D. Rui Gouveia e D. Alexandre Palma, bispos auxiliares de Lisboa, apresentaram, respetivamente, o horizonte pastoral que vai orientar os próximos anos no patriarcado, e a conferência ‘Recomeçar juntos: re(aprender) a caminhar, pensar e fazer juntos’; realizaram-se sete workshops, com a questão geral ‘Como podemos tornar a comunidade mais evangelizadora para…?’, e um plenário de partilha das principais conclusões.
CB






