Na Missa de Domingo de Ramos, D. Rui Valério recusou um «turismo espiritual» na vivência da Páscoa

Lisboa, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa alertou hoje para o alastramento do “panorama bélico” no mundo, apelando a uma solidariedade ativa para com as populações atingidas.
“Onde explodem bombas, onde se levantam ruínas, onde se apagam vidas inocentes – aí está, de novo, o Calvário dos pobres, dos indefesos, dos inocentes”, disse D. Rui Valério na homilia da Missa de Domingo de Ramos, a que presidiu na Sé Patriarcal.
O responsável católico sublinhou que a entrada na Semana Maior acontece num “tempo histórico particularmente complexo” e dirigiu o seu pensamento aos homens, mulheres, crianças, idosos e doentes a quem a guerra “já levou quase tudo”, deixando-lhes apenas um espaço interior “ferido” e “exausto”.
“Quem vive sob o ruído constante de projéteis, de bombardeamentos, de agressões, que pode ainda esperar? Talvez apenas isto: que alguém não seja indiferente. Por isso, irmãos, a interpelação é clara e direta: não queiramos ser indiferentes”, apelou.
Na oração, na proximidade concreta, nas obras de solidariedade, tornemo-nos próximos daqueles que sentem cada vez mais distantes os que amam e cada vez mais longínquo tudo o que tinham. Porque, para quem perdeu tudo, a maior riqueza que ainda pode existir é a presença de um coração que não abandona.”
A proximidade aos que sofrem adquire, segundo o patriarca, um “rosto profundamente pascal”, uma vez que a violência que atinge os inocentes fere a própria humanidade.
Refletindo sobre a missão da Igreja, D. Rui Valério rejeitou que esta seja movida por uma ideologia ou por um “mero ideal ético”.
“A nossa participação na Páscoa de Jesus não é um turismo espiritual. Não é um gesto exterior, nem uma emoção passageira. É entrar com Ele na sua Paixão e na sua Morte, para com Ele ressuscitar”, sustentou.
A intervenção sublinhou que o impulso evangelizador nasce de um amor “gratuito e desmedido”, que na Cruz se tornou “escândalo e loucura”, oferecendo-se até àqueles que o recusam ou traem.
“Aquilo que anunciamos não é uma ideia: é uma plenitude. Cristo, plenitude da nossa humanidade e de todo o nosso ser. E, por isso, toda a missão da Igreja nasce e permanece neste centro: no mistério pascal, de onde brota a vida nova, a comunhão, a salvação. Só a partir deste coração podemos compreender quem somos. E só a partir deste coração podemos verdadeiramente transformar o mundo”, concluiu.
A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.
OC
