A celebrar 88 anos de vida, sacerdote olha para o seu percurso com um «profundo amor à Igreja»

Agência ECCLESIA/MC – padre Vítor Feytor Pinto

Lisboa, 06 mar 2020 (Ecclesia) – Monsenhor Vitor Feytor Pinto assinala hoje 88 anos de vida, que considera ter passado com a “vocação certa” e a amar “profundamente a Igreja”.

Quase a completar 65 anos de padre, diz que a vida cristã “não é doutrina, a vida cristã não é mandamentos, a vida cristã não é liturgia”.

“A vida cristã é Jesus” e o testemunho cristão é “acolher, compreender e ser solidário sobretudo com os mais pobres”, acompanhando a mudança de “paradigma do Papa Francisco”, afirma à Agência ECCLESIA.

“Nós, cristãos, não podemos ser opostos, adversários. Companheiros com ideias diferentes, ideologias diferentes, opções diferentes, religiões diferentes, mas companheiros. O nosso testemunho de vida, o que é a nossa realidade, anuncia o que é a comunidade cristã”,

A sua herança de fé é fruto da crença “beirã” do pai e da “fé pequenina” da sua mãe, criada em Coimbra.

“Não sou capaz de estar preso a ideologias, a partidos, a opiniões que podem ter um contraditório. Sinto completamente livre o meu coração e a minha mente, precisamente para poder optar, porque perante o meu discernimento é aquilo pelo qual devo optar. Sinto-me feliz, porque me sinto completamente livre”, indica.

Essa liberdade acompanhou a sua formação sacerdotal pré-conciliar, que radica o seu desejo de renovação na Igreja.

Despois de ser ordenado, em 1955, acompanhou o bispo, na Guarda, num tempo em que “os novos sacerdotes” reclamavam espaço de pensamento.

A sua vontade de renovação levou-o a associar-se a grupos que “se interrogavam sobre a presença da Igreja no mundo da política”, chegando, soube posteriormente, que a sua identificação foi entregue pelo governador de então à PIDE.

Estes anos levaram o padre Feytor Pinto a Roma, onde acompanhou as últimas sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965) e conviver de perto com D. Manuel Vieira Pinto.

Com ele trabalhei, depois, seis anos, a anunciar o Concilio. Na altura consegui ir para Roma, aprofundar a minha fé, valorizar a minha conceção teológica. Toda a Teologia do Concílio era para mim uma extraordinária revolução e uma verdadeira revelação de Deus e de Jesus Cristo. Por isso fui apaixonado pelo Concílio e o Concílio moldou a minha vida e formou o meu sacerdócio”.

Segundo o padre Feytor Pinto, se não fosse o Concilio Vaticano II (1962-1965) o seu sacerdócio não teria vingado.

“Em todos os ciclos históricos a realidade que está no poder tem críticos. No meu tempo, no princípio do meu sacerdócio, só se via a espiritualidade. Nós, jovens padres, sentimos a urgência da temporalidade, da dimensão cristã da temporalidade. Quisemos a renovação. Depois, veio o Concílio, que veio confirmar a nossa esperança numa renovação profunda da Igreja”, afirma.

Em outubro de 2018 esteve internado e em coma, devido a uma septicemia.

“É curioso que quando me apercebi, me pus nas mãos de Deus. E julgo que não senti mais nada. Durante aquele tempo, em que estive meio adormecido ou em coma, não senti mais nada. Fiquei sereno. Foi-me dada a Santa Unção e eu pensei: «Senhor, estou nas tuas mãos». É curioso que acordei três, quatro ou cinco dias depois e acordei em paz, acordei muito em paz”, recorda.

Hoje afirma o seu sacerdócio mais rico depois desta experiência “muito forte e violenta” e é com vigor e entusiasmo que a cada domingo sobe ao ambão da paróquia do Campo Grande, em Lisboa, onde permanece ligado há 43 anos, para convidar à alegria e à renovação da Igreja.

LS

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