Ghalia Taki chegou a Portugal em 2014 e destaca um país «aberto a acolher qualquer pessoa, mesmo que de cultura ou noutra religião» 

Foto Agência ECCLESIA

Lisboa, 11 mar 2019 (Ecclesia) – O Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Revista ‘Brotéria – Cristianismo e Cultura’ promoveram em Lisboa um colóquio sobre a temática da “Hospitalidade”, com o testemunho de vários refugiados acolhidos por Portugal.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o diretor do JRS – Portugal salientou a urgência de afirmar cada vez mais “a hospitalidade como um valor da humanidade, também da Europa”, algo “que importa trazer para o debate político, para o espaço público” e “tornar real na vida das sociedades”.

“As sociedades europeias deverão ser mais disponíveis para o acolhimento de refugiados”, frisou André Costa Jorge, que lembrou a experiência positiva da Plataforma Portuguesa de Acolhimento aos Refugiados, que permitiu ajudar nos últimos três anos “quase 700 pessoas”.

Do lado da Revista ‘Brotéria’, o padre Francisco Mota, diretor-geral daquele projeto jesuíta, que destacou o desafio de abordar um tema bastante “difícil” e “polarizador” na sociedade.

E de fazer essa abordagem de um modo diferente, mais “sereno”, privilegiando “uma conversa verdadeira, entre pessoas diferentes, que se encontram para falar sobre este assunto”.

O próximo passo da Companhia de Jesus, nesta matéria, será dedicar a edição de maio da Revista ‘Brotéria’ precisamente ao tema dos refugiados e migrantes.

A síria Ghalia Taki chegou a Portugal em 2014 e trabalha atualmente no JRS como tradutora e mediadora.

Esta antiga refugiada realça que descobriu em Portugal uma sociedade onde “as pessoas estão abertas a acolher qualquer pessoa, mesmo que de cultura ou noutra religião”, e isso é meio caminho andado para a integração.

“Cercaram-se sempre com cuidado e amor e isso é muito importante para nós, isso não se encontra em todo o lado do mundo. Há coisas muito mais importantes do que o aspeto económico”, frisa Ghalia Taki, que tomou parte num dos painéis de debate do colóquio ‘Hospitalidade: Precisa-se’, na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa.

No total, a iniciativa conjunta do JRS – Portugal e da Revista ‘Brotéria’, da Companhia de Jesus, foi dividida em três painéis – ‘Comunicar a hospitalidade’, ‘Pensar a hospitalidade’ e ‘Viver a hospitalidade’.

A religiosa Irene Guia, que moderou um dos debates e que tem tido várias experiências como missionária em cenários de guerra, sublinhou que a questão dos refugiados deve estar no coração da sociedade, e não apenas presente por uma questão de “agenda” política, neste caso com o aproximar das eleições europeias.

“Creio que isto pode ser também um momento de reflexão do que é que nós, como cidadãos comuns, podemos fazer, e não nos deixarmos manipular tanto por uma agenda e por jogos políticos só como tentativa de chegar ao poder”, apontou.

No evento esteve também Stephanie, uma franco-libanesa que lançou recentemente em Portugal um novo negócio, um restaurante de comida oriental, que emprega algumas pessoas em situação de refugiadas.

Entre o drama que sempre constitui “deixar a pátria” ou escapar a uma situação “de guerra”, é sempre “um prazer ver que as pessoas se estão a integrar, que estão a aprender português, que estão a trabalhar, que estão a construir uma vida aqui em Portugal, e que estão felizes”, completou.

JCP

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