Lisboa: D. Rui Valério pede «Igreja desassossegada pela missão»

Vigília de oração assinalou 100.º Dia Mundial das Missões

Foto: Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 19 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa apelou este sábado à renovação do compromisso evangelizador dos católicos e alertou para o risco de silenciamento da ação pastoral, na vigília do 100.º Dia Mundial das Missões.

“Que sejamos uma Igreja desassossegada pela missão, pela urgência da missão e que esse desassossego seja por nós visto como uma graça da santidade”, afirmou D. Rui Valério, na celebração realizada na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, informa o Patriarcado de Lisboa.

“A minha pergunta é: mas que se passa, que o apelo, a urgência da missão parece que está silenciada?”, questionou o responsável católico, na homilia, manifestando preocupação com o enfraquecimento do impulso evangelizador entre os cristãos.

O patriarca sublinhou que o desconhecimento do Evangelho deixou de se restringir a geografias distantes: “Aquela terra ou aquelas terras onde há pessoas que nunca ouviram falar de Jesus, nem do nome de Jesus, já não é lá, é aqui onde eu estou”.

Recordando os ensinamentos de São Paulo VI e do Papa Francisco, bem como uma memória de infância na sua terra natal, Urqueira, D. Rui Valério declarou que “a missão é verdadeiramente constitutiva do ADN da Igreja”.

“A missão brota sempre de uma experiência”, apontou, explicando que a intimidade com Cristo leva os batizados a partilharem com o próximo a bondade acolhida.

A intervenção sustentou que o anúncio cristão implica dar o que se recebeu, para transformar contextos de sofrimento, violência e desespero.

A propósito do lema ‘Um em Cristo, unidos na Missão!’, o patriarca de Lisboa relatou o caso de uma jovem que desistiu de pôr termo à vida graças ao encorajamento de um professor, destacando a importância de gerar “comunhão” e de “transformar, para dar vida”.

A vigília incluiu o testemunho de Hugo, participante no projeto ‘Missão Agora’, dinamizado em abril na Paróquia de São Maximiliano Kolbe, em Chelas, onde prestou cuidados a um homem com deficiência junto das Missionárias da Caridade.

“É tentar ver Cristo no outro”, resumiu o jovem sobre o serviço comunitário, acrescentando: “Se não tivermos uma vida de oração comunitária, nunca poderemos levar Cristo para os outros”.

A celebração contou ainda com o gesto simbólico ‘Sementes de Esperança: O Envio em Missão’, após a exposição do Santíssimo Sacramento, com a entrega aos fiéis de um saco de sementes e de uma pagela com a oração de São Francisco de Assis.

O diretor do Serviço de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa (SAMPL), padre Albino dos Anjos, religioso dos Missionários da Boa Nova, convidou os participantes a semearem “com fé, com amor e com esperança” para fazer nascer um “mundo novo”.

OC

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