O diaconado “não se reduz a uma etapa” e deve ser macado pelo serviço “aos mais atingidos pelas atuais circunstâncias”, afirmou.

Lisboa, 29 nov 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa presidiu hoje à ordenação de cinco diáconos e afirmou na homilia da Missa que o diaconado “não se reduz a uma etapa” e deve ser macado pelo serviço “aos mais atingidos pelas atuais circunstâncias”.

Foto Arlindo Homem, Ordenações diaconais na Sé de Lisboa

“É certo que vos destinais ao presbiterado, caríssimos ordinandos, mas o tempo de diáconos não se reduz a uma etapa. É a base essencial de tudo o mais, unindo-vos sacramentalmente a Cristo servo. E o serviço é muito especialmente esse mesmo, de assegurar a quem esteja só, doente, ou mais atingido pelas atuais circunstâncias, que pode contar com a presença de Cristo, que por vós lhe advém”, afirmou D. Manuel Clemente.

Na Sé de Lisboa, o cardeal-patriarca lembrou “especialmente os que mais sofrem” e disse que a celebração no I Domingo do tempo que prepara o Natal é também de ação de graças “pelo Senhor que veio, vem e há de vir, na sequência total do seu Advento.

“A palavra que hoje mais ressoa é: “Vigiai!” Alude aos antigos vigias, de olhos fixos na escuridão e até raiar o sol. Mas indica sobretudo a atitude que este tempo litúrgico nos aviva, muito para além da gramática comum. Vigiamos, porque a noite é densa e anoitece-nos também. Mas quem vigia adivinha a aurora e assim se confirma – a si e aos outros”, afirmou.

“Não deixemos que qualquer ‘noite’ nos reduza a expetativa, pessoal, social ou eclesial que seja. Nós sabemos e faremos saber que não há realidade que o Advento de Cristo não possa alcançar e salvar”, sublinhou.

Dirigindo-se aos novos diáconos, D. Manuel Clemente disse que o serviço de cada um deles é “é ser Advento de Cristo e manifestação da sua presença no mundo”.

“Manter este espírito em nós e compartilhá-lo com os outros, sobretudo os que se encerram em desejos curtos, ou as circunstâncias atingem mais pesadamente, por doença, carência ou solidão, pode ser difícil e parecer impossível, dada a nossa falta de aptidão ou coragem”, disse.

“Deste mundo, que hoje dói a tantos, de horizonte cerrado por pandemias várias, físicas, mentais, ou espirituais que sejam. Deste mundo que não deixa de esperar, como em dores de parto, a revelação dos filhos de Deus”, afirmou D. Manuel Clemente.

O cardeal-patriarca de Lisboa presidiu à ordenação diaconal de António Ribeiro de Matos, João Silva e Pedro Figueiredo, do Seminário dos Olivais, Patrice Nikiema, do Seminário ‘Redemptoris Mater’, em Caneças, e Tiago Melo, da Sociedade São Paulo (Paulistas).

Foto Arlindo Homem, Ordenações diaconais

PR

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