«A transmissão do dado moral na escola é fundamental para a coesão social e formação das novas gerações» – D. Manuel Clemente

Foto: Voz da Verdade

Lisboa, 19 out 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa agradeceu aos professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) o “trabalho num campo particularmente difícil como é a escola”, e destacou a formação “de cidadãos para uma sociedade plural e justa”.

“Num ambiente nem sempre propício, marcado por questões fraturantes, a transmissão do dado moral na escola é fundamental para a coesão social e formação das novas gerações”, disse D. Manuel Clemente, este sábado, na Eucaristia do encontro promovido pelo Secretariado Diocesano do Ensino Religioso Escolar (SDER) de Lisboa.

O cardeal-patriarca de Lisboa agradeceu aos professores de Educação Moral e Religiosa Católica o “trabalho num campo particularmente difícil como é a escola” e observou que nos estabelecimentos de ensino “existe muito boa gente, dentro e fora do cristianismo”, capaz de “perceber bem o lugar e o papel da disciplina na formação dos mais novos”.

“A presença da EMRC em contexto escolar permite a construção de pontes em questões difíceis que requerem uma análise global, um olhar com múltiplos ângulos. Devemos olhar o humano na globalidade e a escola é esse lugar”, destacou a da centena e meia de professores, informa o sítio online ‘Educris’.

Referindo-se à “mudança de cultura”, D. Manuel Clemente lembrou que a “moral cristã é, antes de tudo, uma pessoa” e desafiou os professores a “andarem com Jesus”, deixando que “tome conta dos procedimentos e das atitudes” para serem suas “testemunhas”.

“Quando se fala de religião no cristianismo, fala-se de uma pessoa: Jesus. Isso é importante que esteja visível na nossa relação com os outros, também no nosso trabalho. Na escola, com pais, alunos, colegas e funcionários. Não se trata de um documento, mas de uma pessoa!”, afirmou, na homilia.

O cardeal-patriarca de Lisboa pediu também aos professores de EMRC para levarem o sentido da “ecologia integral”, proposta pelo Papa Francisco, para a escola.

A reunião geral de professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica da Diocese de Lisboa teve como tema ‘#maispróximos’ e realizou-se, este sábado, no Colégio da Senhora da Boa Nova, no Estoril, onde foi apresentado o lema do ano letivo e o novo logótipo para EMRC no patriarcado, que quer “aproximar-se das comunidades educativas”  e ajudar “ao encontro”.

O diretor do SDER de Lisboa lembrou um ano que se “revelou muito duro”, lamentou “o esforço suplementar” com as matrículas e agradeceu aos professores o “trabalho de procurar alunos e estar com eles durante a pandemia”.

“Não devemos desanimar porque estamos já habituados a ter altos e baixos ao longo dos anos. Na história da EMRC temos mais vitórias que derrotas e estou certo de que sairemos mais fortes destes tempos porque o que ensinamos é muito relevante na formação das novas gerações”, disse o padre Paulo Malicia.

O diretor do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso Escolar (SDER) de Lisboa explicou que para além do desafio de “cativar alunos” outro é a falta de professores para colocação nas escolas, neste momento, existem cerca de 63 escolas sem a disciplina de EMRC na região de Lisboa.

“Precisamos de renovar o corpo docente e temos várias iniciativas em desenvolvimento. Neste momento, todos os professores profissionalizados estão colocados, existem quatro que começaram a lecionar nas escolas este ano”, desenvolveu o sacerdote.

CB/OC

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