D. Manuel Clemente presidiu ao Dia Diocesano da Família, que decorreu Parque das Conchas, em Lisboa

Foto Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 17 jun 2019 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou que os casais e as famílias que “estão na dinâmica da Igreja e da evangelização” são os primeiros apóstolos das outras famílias e realidades que “ainda não sejam” como a que “Cristo propõe no Evangelho”.

“Eles [casais e famílias] que vivem a proposta familiar cristã, vivem no Senhor e, por isso, podem e fazem isso: Testemunhar aos outros que encontram nas suas vizinhanças, lugares de trabalho, às vezes, no seu próprio parentesco, o que é a proposta familiar cristã ou, como disseram os bispos na última carta pastoral, o que é a ‘alegria do matrimónio e da família cristã’”, disse D. Manuel Clemente, em declarações à Agência ECCLESIA.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa “é importante e hoje é indispensável” as famílias apoiarem-se umas nas outras porque “há outros fatores que também se conjugam ou desconjugam” e nas sociedades mais tradicionais “a estabilidade familiar era uma necessidade básica”, até para sobreviver, mas “hoje não é assim”, e em grande parte da sociedade “vive-se mais individualmente, mais disperso”.

A Festa das Família, organizada pelo setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, foi uma ocasião para homenagear os casais que elebraram o aniversário do seu matrimónio, a partir dos 10, 25, 50 e mais anos.

Os 58 anos de casados de António Almeida Mesquita e Maria Aurora Brito estão a ser “vividos com altos e baixos” porque “nem sempre é fácil”.

“Ainda apanhei uma sardinha partida por dois; hoje a malta diz que a vida está má mas não passou aquilo que a gente passa. Hoje digo isto aos meus filhos e não acreditam”, comenta António Almeida Mesquita, aos 82 anos de idade.

Maria Aurora Brito considera que as pessoas “não se aturam umas às outras”, mas observa que “todos têm os seus problemas”, sendo “preciso capacidade para ultrapassar tudo”.

“Fizemos esta promessa há 58 anos e estamos juntos; Graças a Deus cá estamos até que Deus queira”, acrescentou o casal, na Festa da Família, que decorreu na Quinta das Conchas, em Lisboa, que receberam, assim como os que assinalaram 10, 25, 50 ou mais anos de matrimónio um diploma que “é um estímulo para o resto da vida”.

“E para os nossos verem que a gente conseguiu estar juntos e a conviver estes anos todos, que hoje não é fácil. É preciso muita paciência e compreensão e saber viver a vida”, acrescentou.

“A proposta familiar cristã que, como diz o Papa Francisco, toda assenta na espiritualidade do vínculo, que é garantido também em termos sacramentais, como princípio de estabilidade não só para a família mas a sociedade hoje tem muito urgência”, desenvolveu D. Manuel Clemente.

Catarina e Francisco Dias vão comemorar dois anos de casados, no próximo dia 22 de julho, e a vida em casal “está a superar” o que tinham previsto.

“É preciso fazer algumas cedências mas também nos faz bem, torna-nos mais ágeis”, disse Catarina Dias para quem os casais com 50 e mais anos “acabam por ser inspiração e ambição” de poder celebrar muitos mais anos de casados.

Francisco Dias revela que “muita escuta compreensão e partilha” é um dos segredos e Catarina acrescenta que as coisas “nem sempre são maravilhosas mas correm sempre bem” porque estão “em equipa, em conjunto”.

Com cinco anos de matrimónio, o casal Maurício Batista e Ana Maria Batista foi ao encontro para participar na celebração e “ganhar mais conhecimentos” e partilhar com outras pessoas que são casadas há mais tempo”.

“Através do amor vamo-nos conhecendo para cada dia termos mais paciência, porque na vida tudo não é fácil como a gente pensa. Há pessoas com 50, 60 anos de casado não é porque foi tudo um mar de rosas”, explicou Ana Maria Batista da Paróquia de Camarate.

Maurício Batista acrescenta que para os dias mais difíceis “o fator primordial é ter espírito de tolerância”, e com o “amor e poder de Deus tudo se torna fácil”, afinal, o “casamento é para pensar antes de fazer, não é fazer e depois pensar”.

Mércia Videira, do casal coordenador do Centro de Preparação para o Matrimónio da Diocese de Lisboa, explica que os encontros que promovem são uma “etapa importante” para a vida dos futuros casais porque, um dia mais tarde, “quando surgir um problema semelhante lembram-se do que foi falado e dialogado nas sessões”.

“Os casais que nos chegam hoje quase todos já vivem juntos, têm filhos. Já é muito refletido ao longo da vida deles este passo do matrimónio em que Deus vai fazer parte da vida deles”, explicou sobre um passo “muito mais refletido e consciente” hoje a partir desta vivência.

José Videira considera que a presença dos casais que vivem juntos no CPM “servirá de experiência” para os que têm menos anos de vida em comum, “ou não têm nenhuma”.

‘Família: Lugar de Encontro com Deus’ foi o tema da 6.ª edição da Festa da Família, que contou com stands, testemunhos e atuações de Cuca Roseta e do grupo Figo Maduro.

No próximo ano pastoral, em 2020, o Patriarcado de Lisboa vai viver esta festa diocesana na Vigararia das Caldas da Rainha-Peniche.

HM/CB/PR

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