Padre Alexandre Awi Mello está em Portugal, para acompanhar preparativos, e diz que iniciativa está em «boas mãos»

Lisboa, 17 mar 2022 (Ecclesia) – O padre Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé), disse que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que Lisboa vai acolher em agosto de 2023, é um testemunho de paz e diálogo para todos.

“A JMJ vem no momento certo para dizer que é possível um mundo novo, um mundo melhor”, disse o sacerdote, em entrevista à Agência ECCLESIA e Renascença.

O colaborador do Papa está na capital portuguesa, para acompanhar os preparativos da JMJ 2023, tendo presidido esta quarta-feira a uma Missa com a presença de vários colaboradores do organismo da Santa Sé, em visita ao Comité Organizador Local (COL), e a participação de voluntários já envolvidos na preparação do evento.

O padre Alexandre Awi Mello apontou à presença de jovens de todo o mundo em Lisboa, imaginando um cenário em que bandeiras da Ucrânia e da Rússia unam delegações dos dois países, em paz.

“A JMJ é um testemunho vivo de que a paz é possível”, sublinhou.

O secretário do dicastério responsável pelo acompanhamento da JMJ disse que a próxima edição internacional do evento, que acontece pela primeira vez em solo português, “está em boas mãos”.

“A nossa experiência destes dias, e não só, durante toda a preparação, faz-nos perceber que há muito profissionalismo, muita paixão, muito entusiasmo e uma vontade tremenda de acolher os jovens do mundo inteiro”, indicou.

Os ingredientes necessários para poder realizar uma JMJ são o entusiasmo, com profissionalismo; uma paixão que tem consequências organizativas. E isso a gente percebe que está a acontecer”.

O secretário do Dicastério para os Leigos, Família e Vida sublinhou que a JMJ é um projeto que tem sempre “muitas coisas que fogem ao controlo” de quem organiza, destacando a imprevisibilidade ligada à presença dos peregrinos.

“Até ao último momento, temos a atitude de acolher peregrinos, o que significa que pode haver muitas surpresas de última hora”, exemplificou, evocando “experiências muito bonitas dessa participação, que rompe todos os esquemas”.

O responsável destacou, por outro lado, que todas as “coisas que se podem prever e o que se deve fazer, como linhas gerais para a organização de uma jornada, vão chegar a tempo”.

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Para o sacerdote brasileiro, a JMJ é um evento de massa, com “regras próprias”, e também um evento eclesial, “aberto à ação do Espírito Santo, a um povo que está em caminho, que são peregrinos”.

Francisco pediu uma jornada “criativa”, na mais recente mensagem que divulgou a respeito da JMJ 2023, evocando o contexto ainda marcado pela crise da Covid-19.

“O Papa insiste muito que, dessa pandemia, vamos sair melhores ou piores. Temos de fazer todo o possível para sair melhores: isso significa começar a pensar as coisas de forma diferente, dar outros passos”, indicou o padre Awi Mello.

O entrevistado realçou a capacidade dos jovens de inventar “coisas novas” e dar respostas em que ninguém tinha pensado.

“É preciso aproveitar este desconcerto que a pandemia gerou para poder repensar algumas coisas”, sustentou.

Segundo o responsável da Santa Sé, o objetivo é acolher os peregrinos “da melhor maneira possível”, apesar das dificuldades destes tempos, oferecendo uma “oportunidade de recomeço”

“Para muitos, a jornada significa isso. Há muitas histórias de pessoas que, durante as jornadas, redescobriram a fé, a Igreja, voltaram a entusiasmar-se pelo Evangelho, por Jesus”, recordou.

O pós-pandemia e, esperamos, o pós-guerra podem significar, justamente, uma oportunidade para fazer as coisas melhor, com mais esperança e convicção, num período em que o mundo vai estar a renascer, a descobrir novas luzes, novos caminhos”.

A Missa desta quarta-feira foi celebrada na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, junto á zona onde vai decorrer a JMJ 2023, no Parque do Tejo.

A Jornada Mundial da Juventude é um encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa, foi instituída por João Paulo II, em 1985. A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, e desde então a JMJ já passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

No dia 27 de janeiro de 2019, na conclusão da Jornada Mundial da Juventude na cidade do Panamá, foi anunciado que a escolha para seguinte edição da Jornada Mundial a Juventude seria Lisboa, onde vai acontecer o encontro de jovens de todo o mundo com o Papa entre os dias 1 e 6 e agosto de 2023.

PR/OC

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