Francisco evocou primeiro aniversário da «terrível explosão» no Porto de Beirute

Cidade do Vaticano, 04 ago 2021 (Ecclesia) – O Papa evocou hoje no Vaticano o primeiro aniversário da “terrível explosão” no Porto de Beirute, que matou mais de 200 pessoas e provocou elevados danos materiais, apelando à ajuda da comunidade internacional.

“Apelo hoje à comunidade internacional, pedindo que ajude o Líbano a cumprir um caminho de ressurreição, com gestos concretos, não apenas com palavras. Gestos concretos”, disse, no Auditório Paulo VI, onde retomou esta manhã as audiências gerais.

Francisco sublinhou o impacto social e económico deste desastre, alertando que muitos libaneses “perderam a vontade de viver”.

“Um ano depois da terrível explosão que aconteceu no porto de Beirute, capital do Líbano, que provocou morte e destruição, o meu pensamento vai para aquele querido país, sobretudo para as vítimas, as suas famílias, aos muitos feridos e aos que perderam a sua casa e o trabalho”, referiu.

A 1 de julho, o Papa convocou um dia de oração e reflexão pelo Líbano, no Vaticano, com a participação de líderes cristãos.

“Acolhemos as aspirações e expectativas do povo libanês, cansado e desiludido, invocando de Deus a luz e a esperança para superar esta dura crise”, explicou.

Francisco desejou que seja “profícua” a conferência internacional de doadores para o Líbano, que decorre hoje, organizada pela França e pelas Nações Unidas, visando recolher 295 milhões de euros em ajuda de emergência.

O Líbano enfrenta ainda uma crise política, com a renúncia de dois chefes de Governo devido à falta de consenso político.

O Papa reafirmou a sua intenção de visitar o país, quando as condições o permitirem.

“Queridos libaneses, é grande o meu desejo de vos visitar e não me canso de rezar por vós, para que o Líbano volte a ser uma mensagem de fraternidade, uma mensagem de paz para todo o Médio Oriente”, disse.

O 4 de agosto foi declarado pelo Conselho de Ministros do Líbano como dia de luto nacional, com suspensão dos trabalhos nas administrações e instituições públicas.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) assinala, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, que a população libanesa “desespera com a profunda crise que o país atravessa desde outubro de 2019, com uma corrupção endémica, infraestruturas públicas decadentes e hospitais à beira do colapso devido ao avanço da pandemia de Covid-19”.

“Mais da metade da população do Líbano vive abaixo da linha da pobreza e há cada vez mais pessoas que vivem em situação de miséria”, acrescenta a nota divulgada pelo secretariado português da AIS.

Em 2020, a fundação pontifícia apoiou com mais de 2,7 milhões de euros a reconstrução de edifícios religiosos destruídos pela explosão e destinou 2,25 milhões euros à ajuda de emergência.

OC

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