Comunicado assinado pelo cardeal Pizzaballa considera que ato, ocorrido em aldeia libanesa, «constitui uma grave afronta à fé cristã»
Vaticano, 21 abr 2026 (Ecclesia) – A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa condenou, esta segunda-feira, o ato de violência por parte de um soldado israelita contra uma estátua de Jesus crucificado numa aldeia do sul do Líbano e exigiu a tomada de medidas.
“Este ato constitui uma grave afronta à fé cristã e soma-se a outros episódios relatados de profanação de símbolos cristãos por parte de soldados das FDI no sul do Líbano”, pode ler-se no comunicado, assinado pelo Patriarca Latino de Jerusalém, presidente deste organismo, citada pelo portal Vatican News.
As imagens, partilhadas nas redes sociais, tiveram lugar em Debl e mostram um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) a atingir com uma marreta a cabeça da imagem de Jesus Cristo, caído da cruz.
A assembleia pede “uma ação disciplinar imediata e decisiva, um processo credível de responsabilização e garantias claras de que tal conduta não será tolerada nem repetida”.
No texto, o cardeal Pierbattista Pizzaballa reitera o significado “inquestionável” da cruz, ontem, hoje, amanhã e sempre, bem como a mensagem que a partir desse símbolo chega no meio das bombas e escombros.
“Para os crentes, a Cruz continua a ser uma fonte de dignidade, esperança e redenção, bem como um convite a superar a violência através do amor sacrificial”, assinalou.
“É precisamente nesta perspetiva que a Igreja continua a proclamar que a verdadeira paz não pode nascer da violência, mas deve permanecer, segundo as palavras do Papa Leão XIV, desarmada. Uma paz que convida a guardar a espada na bainha”, acrescentou.
A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa deixou também apelo à cessação das hostilidades na Terra Santa e em todo o Médio Oriente, desejando que “se inicie um caminho em que a paz se manifeste através da moderação, do diálogo, da responsabilidade e do respeito pelo sagrado e por toda a vida humana”.
Following the completion of an initial examination regarding a photograph published earlier today of an IDF soldier harming a Christian symbol, it was determined that the photograph depicts an IDF soldier operating in southern Lebanon.
The IDF views the incident with great… https://t.co/U6P3x8KWBb
— Israel Defense Forces (@IDF) April 19, 2026
Numa publicação na rede social X, no passado domingo, as Forças de Defesa de Israel confirmaram a veracidade da fotografia e assumiram encarar o incidente com “grande gravidade”, salientando que “a conduta do soldado é totalmente incompatível com os valores que se esperam das suas tropas”.
“O incidente está a ser investigado pelo Comando do Norte e está atualmente a ser tratado através da cadeia de comando. Serão tomadas medidas adequadas contra os envolvidos, de acordo com as conclusões”, pode ler-se.
Além disso, as IDF deram conta que “estão a trabalhar para ajudar a comunidade a restaurar a estátua no seu local”.
“As IDF estão a operar para desmantelar a infraestrutura terrorista estabelecida pelo Hezbollah no sul do Líbano e não têm qualquer intenção de danificar infraestruturas civis, incluindo edifícios religiosos ou símbolos religiosos”, concluiu.
The damaging of a Christian religious symbol by an IDF soldier in southern Lebanon is grave and disgraceful.
I commend the IDF for its statement,
for condemning the incident, and for conducting an investigation into the matter. I’m confident that the necessary strict measures…— Gideon Sa’ar | גדעון סער (@gidonsaar) April 20, 2026
Esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa’ar, classificou a vandalização do símbolo religioso como “grave e vergonhosa” e mostrou-se confiante de “que serão tomadas as medidas rigorosas necessárias contra quem quer que tenha cometido este ato repugnante”.
“Esta ação vergonhosa é totalmente contrária aos nossos valores. Israel é um país que respeita as diferentes religiões e os seus símbolos sagrados, e defende a tolerância e o respeito entre as crenças”, escreveu na rede social X.
“Pedimos desculpa por este incidente e a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos”, finalizou.
LJ/OC
