Cardeal escreve mensagem à diocese, explicando renúncia por «limite das forças físicas e anímicas»

Leiria, 28 jan 2022 (Ecclesia) – O Papa aceitou hoje o pedido de resignação apresentado pelo cardeal D. António Marto, de 74 anos, como bispo da Diocese de Leiria-Fátima, que justificou a decisão com o “limite das forças físicas e anímicas” para desempenhar esta missão.

“Ao aproximar-se a idade que o direito canónico estabelece como limite destas funções e consciente também de maior limite das forças físicas e anímicas para exercer adequadamente o cargo, face às exigências pastorais da Diocese e do Santuário de Fátima, apresentei ao Santo Padre o pedido de renúncia ao governo pastoral da Diocese, quando completei 74 anos [maio de 2021, ndr], escreve o responsável, numa mensagem publicada esta manhã.

O Papa Francisco nomeou hoje D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), como novo bispo de Leiria-Fátima.

O Código de Direito Canónico determina que qualquer bispo diocesano que tenha completado 75 anos de idade deve apresentar a renúncia do ofício, podendo esse pedido ser antecipado por motivos de saúde ou outras causas graves.

“Quero agradecer, profundamente reconhecido, a compreensão tão paternal, tão amiga e afetuosa do Papa Francisco, manifestada pessoalmente, quando lhe apresentei o meu pedido”, relata D. António Marto.

O cardeal assume funções de administrador apostólico da diocese até à tomada de posse do novo bispo, no dia 13 de março, na Catedral de Leiria.

“Desde já, em nome pessoal e de toda a Diocese, quero saudar e felicitar de todo o coração o Senhor D. José Ornelas por esta nomeação, exprimir-lhe o nosso regozijo e dar-lhe as boas-vindas mais fraternas e calorosas”, escreve.

D. António Marto elogia a “uma riqueza enorme e única” do seu sucessor, que vê como alguém capaz de “imprimir um novo impulso à renovação pastoral da Diocese e do Santuário de Fátima”.

“Como bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal tem dado provas duma experiência pastoral aliada a um dinamismo missionário duma Igreja próxima e em saída, capaz de tomar decisões corajosas e inovadoras, na linha do propósito de renovação do Papa Francisco”, acrescenta.

É um bispo com ‘o cheiro das ovelhas’, de uma relação próxima e afável com o povo fiel de Deus, leigos, padres e membros da vida consagrada, aberto ao diálogo ecuménico e inter-religioso como também aos não crentes. Por todas estas qualidades, é hoje uma personalidade reconhecida e muito estimada na sociedade civil e na Igreja.

António Augusto dos Santos Marto nasceu a 5 de maio de 1947, em Tronco, Concelho de Chaves, Diocese de Vila Real; foi ordenado padre em Roma, em 1971 e a 10 de novembro de 2000 foi nomeado bispo auxiliar de Braga, pelo Papa João Paulo II, tendo passado pela Diocese de Viseu antes de ser escolhido por Bento XVI, em 2006, como bispo de Leiria-Fátima.

O responsável foi criado cardeal pelo Papa Francisco, a 28 de junho de 2018, sendo membro do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, da Santa Sé.

A mensagem à Diocese de Leiria-Fátima passa em revista os anos como bispo, pedindo perdão a “quem não tenha prestado a devida atenção ou tenha desgostado por ações ou omissões”.

“Quero expressar também o meu profundo agradecimento a todos”, refere D. António Marto.

O cardeal português deixa uma palavra particular aos peregrinos de Fátima e o seu testemunho de fé.

“Deus sabe que não busquei honras nem aplausos. Todavia, levo uma riqueza que não trocaria por todo o ouro do mundo: o coração cheio de nomes e rostos, que são os vossos, sobretudo dos ‘meus amiguitos e amiguitas’. E levarei comigo o título mais honroso: o de bispo emérito de Leiria-Fátima”, assinala.

Como levarei sempre comigo, gravada na retina da alma e do coração, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, querida e terna Mãe, e dos santos Pastorinhos, de quem tenho recebido tanta ternura e tantas graças”.

Em novembro de 2020, o cardeal foi internado no Hospital de Leiria onde permaneceu durante duas semanas, continuando depois os tratamentos a uma infeção no fígado numa unidade de hospitalização domiciliária, durante cinco semanas.

Em novembro, por ocasião dos 50 anos de ordenação sacerdotal, D. António Marto concedeu uma entrevista à Agência ECCLESIA, na qual assumia a intenção de continuar a trabalhar “ao serviço da Igreja e do mundo”.

OC

 

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