Ricardo Reis lamenta ausência de «mecanismos alternativos» para superar limitações impostas pela Covid-19

Foto: Lusa

Lisboa, 24 Jan 2022 (Ecclesia) – O diretor do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa (UCP) considera que a pandemia “pode afetar” as eleições legislativas, no próximo domingo.

“A pandemia pode afetar e deixo uma crítica à classe política, como um todo, porque teve um ano para pensar em formas de acautelar a pandemia no processo eleitoral”, disse Ricardo Reis, em declarações à Agência ECCLESIA.

O responsável recorda que, durante a pandemia, já se teve a “experiência das presidenciais, das eleições regionais nos Açores e das eleições autárquicas”.

Apesar de não estar “a defender o voto eletrónico”, Ricardo Reis considera que se deviam ter encontrado “mecanismos alternativos de aumento do número de votos, tal como aconteceu este domingo [23 de janeiro, ndr] com o voto antecipado”.

“Foi uma extraordinária e boa solução para o problema”, ao usar um mecanismo existente para que “mais pessoas possam ir votar em segurança”.

Ao nível de soluções, o diretor do Centro de Estudos Aplicados da UCP aponta também para “o aumento do número de mesas de voto”.

Foto: Lusa

O entrevistado da emissão de hoje do Programa ECCLESIA (RTP2) sublinha que o ato de votar “é um dever e um direito”, porque “há uma responsabilidade cívica e um compromisso de ir votar”, mas também existe “o direito de não votar e essa é a parte que preocupa, as pessoas não estarem mobilizadas”.

O Portugal que vota, “em princípio, deviam ser todas as pessoas”, mas a elevada abstenção tem mostrado um “afastamento dos cidadãos da classe política”.

“É muito difícil alguém dizer que não há uma força política, verdadeiramente, que espelhe aquilo que os cidadãos pensam sobre o cabaz de assuntos que são relevantes”, acrescentou, destacando que, “muitas vezes, as pessoas não estão desencantadas com os programas, mas com as personalidades que têm à sua frente como opção”.

O diretor do Centro de Estudos Aplicados da UCP defende “um repensar dos círculos eleitorais” para as regiões.

“Fala-se tanto da regionalização porque não começar neste contexto?”, questiona.

Segundo Ricardo Reis, esta medida “aproximaria o Portugal que vota dos eleitos pelas diferentes regiões que representam e estão de certa maneira perdidos no meio da ponte entre deputados duma região ou deputados de um país”.

PR/LFS/OC

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