Presidente da Comissão Episcopal responsável pelos media desafia políticos a «escutar a sociedade» em temas como a natalidade, a educação ou a eutanásia

Foto: Agência ECCLESIA/LFS

Almada, 24 jan 2022 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal responsável pelos media lamentou hoje a falta de atenção aos “problemas mais cruciais” da sociedade portuguesa, durante a campanha para as legislativas do próximo domingo.

“Foi com muita pena que, até à data, não vi a nível dos candidatos a estarem à frente das nossas instituições públicas, de maior relevo, como o Governo, a Assembleia e outras instâncias, terem debatido os problemas mais cruciais da nossa sociedade”, referiu D. João Lavrador aos jornalistas, falando no final da apresentação da mensagem do Papa para o 56.º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Após a sessão, que decorreu no edifício da Reitoria do Santuário de Cristo Rei, Almada, o responsável católico deu como exemplo as questões da família, da natalidade, da violência doméstica e das desigualdades sociais no que “elas têm de mais profundo”.

“Passou tudo pela rama, a estes níveis, focou-se muito no problema de uma economia mais assente neste ou naquele aspeto”, indicou.

O bispo de Viana do Castelo aludiu ainda a temas como a educação, a saúde e “problemas cruciais de civilização” que são colocados na agenda política “à socapa”, em particular a intenção de legalizar a eutanásia.

“Ninguém falou desta questão”, lamentou.

Foto: Lusa

“É pena, são problemas cruciais que dividem a sociedade, são problemas de consciência”, acrescentou, defendendo que “é preciso escutar a sociedade”.

D. João Lavrador dirigiu-se a todos os que estão nesta campanha eleitoral “tão importante”, pedindo que saibam “escutar o grito das pessoas”.

“Este grito não é só um grito de miséria, de pobreza, de todo aquele que é oprimido, mas é também esse, e é prioritário”, observou.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais apontou a uma sociedade justa, “cimentada na paz, no bem”, que tem de encontrar “laços de fraternidade e de empatia entre todos”.

“É importante que todos os que têm responsabilidades públicas se alicercem aqui”, prosseguiu.

LS/OC

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