D. Manuel Clemente disse que «perspetivas» para a nova legislatura «não podem deixar de ser positivas»

Foto: RR/Liliana Monteiro

Lisboa, 10 out 2019 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse hoje que a “integração da população sénior na vida social, mais acompanhada, mais respeitada e mais potenciada” é “um dos grandes desafios” para o novo Governo português, nos próximos quatro anos.

“[A população sénior] transporta consigo uma maneira de entender as coisas que lhe vem da vida vivida e a sociedade ganha com esse contributo”, afirmou D. Manuel Clemente, em declarações aos jornalistas, à margem da abertura do ano académico 2019/2020 da Universidade Católica Portuguesa (UCP)

O cardeal-patriarca de Lisboa assinalou que é necessário “perceber” que a sociedade portuguesa é “muito envelhecida”, a população com mais de 70 e 80 anos de idade “é crescente”.

“O que é um bem, quer dizer que estamos cá mais tempo, como septuagenário também me sinto bem assim”, acrescentou.

Neste contexto, realçou que “grande parte das propostas sociais”, no campo da saúde e noutros, estavam voltadas para camadas mais jovens da população, “e muito bem”, com “grandes êxitos”, que “são grandes bens”, como “a redução drástica da mortalidade infantil, a escolarização crescente”.

Para os próximos quatro anos, o período da nova legislatura, D. Manuel Clemente afirmou que as perspetivas “não podem deixar de ser positivas, no sentido da consolidação da democracia” portuguesa.

“Vivemos numa vida democrática em que nós nos entendemos, as diversas forças apresentam-se, são escolhidas pelos cidadãos, num sentido ou noutro, e quem me dera que cada vez fosse maior a participação, nestes atos eleitorais”, desenvolveu.

“É uma sociedade aberta, em que as diversas forças têm o seu lugar, os portugueses ouvem, escolhem e vamos por diante”, acrescentou o cardeal-patriarca de Lisboa, à margem da abertura do ano académico da UCP, onde foi entregue o grau de doutora Honoris Causa a Julia Kristeva.

No contexto político, a professora universitária, escritora e psicanalista búlgara, que não conhece muito Portugal revelou-se “muito interessada na exceção portuguesa” que consiste em ter “um governo socialista, num momento em que, por todo o lado, há soberanistas”.

“O Partido Social conseguiu, pelos vistos, congregar uma política social com uma política realista. Será oportunismo ou será algo que vai reformar em profundidade o sistema político? Porque é preciso reformar todo o sistema político da modernidade, tanto na Polónia como em Portugal ou na França. Essa é a questão”, desenvolveu aos jornalistas Julia Kristeva.

CB/OC

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