Padre João António Teixeira destaca celebração que está «na alma do povo»

Lamego, 08 set 2026 (Ecclesia) – O reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, descreveu as festividades em honra da padroeira como “uma espécie de tsunami mariano”, enaltecendo uma experiência “avassaladora em número e em intensidade”.
“É uma vivência com raízes muito populares, muito epidérmicas, muito autênticas, mas que mostram que a relação com Nossa Senhora e, obviamente, com Jesus, está na alma do povo”, sublinhou o padre João António Teixeira, em declarações ao Programa Ecclesia que é emitido hoje na RTP2.
O responsável destacou que “não aqui segmentações classistas, há uma unidade, de facto, em volta da mãe”, que se prolonga ao longo “dos dias da novena e da festa”.
Apesar do destaque mediático que recai sobre a Procissão do Triunfo, esta tarde, considerada o “corolário vivencial, telúrico, muito próprio aqui de Lamego”, o padre João António Teixeira notou uma “crescente procura da espiritualidade, ou seja, da escuta, do silêncio, da vivência quotidiana da fé”.
O sacerdote salientou que o número de fiéis que procura atendimento espiritual “aumentou exponencialmente” após a pandemia, referindo-se a “situações que não são visíveis e que não são reproduzíveis” nas habituais reportagens televisivas.
Questionado sobre o perfil de quem percorre os mais de 600 degraus do escadório, o padre João António Teixeira apontou para uma “grande variedade”.
“Há quem o faça em espírito de oração, até em comunidade, famílias”, explicou o reitor, notando que existe um processo de transformação interior onde “o turista se transforma em peregrino”.
“O turista apenas passa ao passo que o peregrino, além de passar, para. E para, às vezes, bastante tempo”, constatou o entrevistado.
O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios tem recebido devotos de diferentes latitudes geográficas, com o reitor a enumerar a presença de “pessoas de toda a parte do mundo, desde a Europa mais próxima, Espanha, França, Itália, norte da Europa, mas também da América Latina”, incluindo peregrinos da Ásia, como de “Taiwan”.
Dizer Lamego é dizer Nossa Senhora dos Remédios.”
A igreja original e os espaços adjacentes albergam um vasto património, destacando-se, segundo o padre João António Teixeira, uma “imagem no Santuário de Santa Ana a ensinar Nossa Senhora a ler, precisamente na escola do Templo de Jerusalém”.

As festividades em honra do nascimento de Nossa Senhora dos Remédios celebram-se anualmente entre agosto e 8 de setembro (dia da Senhora); a imagem original da Virgem com o Menino ao peito, data do século XV, na sacristia está a imagem nova que é levada na procissão de triunfo, e foi consagrada a 2 de setembro de 1904.
A igreja do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é antecedida de um escadório, construído ao longo de várias mais de um século, que se insere no meio da natureza, rodeado pelo parque de Santo Estevão ou dos Remédios.
O atual santuário começou a ser construído em 1750, depois da Capela de Santo Estêvão (de 1361) e da primeira Capela de Nossa Senhora dos Remédios (de 1565).
PR/OC
