Bispo de Lamego publica carta pastoral para ano 2020-2021

Foto: Diocese de Lamego

Lamego, 01 out 2020 (Ecclesia) – O bispo de Lamego publicou o documento orientador para o ano pastoral 2020-2021, apresentada este sábado, assumindo que a pandemia apresenta novos desafios para a Igreja Católica.

“A situação que nos é dado viver, também por graça, reclama de nós, não um mundo assim-assim, mas um mundo novo, ao nível da nossa condição de filhos de Deus. Aí está então o nosso trabalho, aqui e agora, e daqui para a frente. A nossa maneira de estar, não tanto fazendo mais coisas na Igreja, mas ajudando a Igreja a fazer-se como um novo espaço relacional, com um novo rosto, e um modo novo marcadamente evangelizador”, escreve D. António Couto.

A carta pastoral ‘Abrir e Semear Sulcos de Paz e de Esperança’, enviada à Agência ECCLESIA, indica que este seria o último ano de um triénio dedicado à Igreja, onde se queria “salientar a identidade da Igreja, visível no seu rosto belo e feliz de Esposa de Cristo”.

“Todos sabemos, infelizmente, que este caminho sinodal não foi levado até ao fim, devido à pandemia que, entretanto, chegou sem pedir licença e sem pré-aviso, e fechou as nossas igrejas e até as nossas casas”, escreve o responsável católico.

Com doze pontos, o documento de D. António Couto realça que apesar de atingidos pela pandemia, os cristãos de Lamego não ficaram “tolhidos nem atolados na desgraça, abandonados e paralisados no meio da praça”.

Segundo o bispo de Lamego, a solidariedade foi patente e os cristãos souberam “dar as mãos” e ajudaram a levantar-se “uns aos outros”.

Na carta pastoral, D. António Couto sublinha também que, se a ciência “pode ou não produzir uma vacina”, o que se sabe é que “cada vontade boa pode transformar em arado qualquer espada, semear em cada sulco uma semente, em cada vinco uma mensagem de esperança”.

“Talvez na próxima primavera, quem sabe, se há de levantar de cada sulco um pé de trigo, de cada vinco um pedaço de Evangelho”, acrescenta.

Embora se esteja “ainda no meio da noite desta pandemia”, o bispo de Lamego observa que não se pode “falar de catástrofe”, porque este momento mostra “mais ainda que não podem as coisas continuar como estão (a que chamam ‘novo normal’), nem sequer simplesmente voltar ao como estavam antes (a que chamam ‘normal’)”, refere o documento.

D. António Couto apresenta indicações em relação ao trabalho de futuro, convidando a construir um “santuário de tempo”.

“Os dias, com claro destaque para o Domingo, bem podem ser as nossas novas catedrais”, finaliza o Bispo de Lamego.

LFS/OC

Lamego: «Nada de desanimar nesta pandemia» –  D. António Couto (c/vídeo)

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