Presidente fez retrato social da diocese, marcada também pela desertificação, e apresentou iniciativas futuras do organismo
Lisboa, 30 out 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Lamego, António Lucena, apontou hoje a violência doméstica como uma das realidades sociais mais preocupantes no território.
“Há muita violência doméstica camuflada”, alertou o responsável, em declarações à Agência ECCLESIA, que lembrou uma conferência promovida pelo organismo sobre este tema, em 2019.
“Na altura, o que nós tentamos fazer foi trazer este assunto para cima da mesa para dar também algumas ferramentas à ação social da Igreja e não só, através das suas IPSS e associações que estão muito próximas da comunidade local e também dos senhores sacerdotes”, explicou.
António Lucena indica que a Comissão Diocesana Justiça e Paz de Lamego tem procurado ir ao encontro das necessidades que vai detetando a nível diocesano.
“Temos um papel muito mais formativo do que outra coisa e a ação que nós temos vindo a desenvolver é através destas comunicações, destas conferências”, referiu.
Além da violência doméstica, o entrevistado dá conta que a diocese sofre também com a desertificação, considerando este “um dos aspetos mais urgentes a resolver em termos políticos”.
Nas últimas semanas, a crise na habitação levou a manifestações e acampadas, com centenas ou milhares de pessoas, que tiveram início no Porto a 10 de outubro e se estenderam a Lisboa, tendo já motivado concentrações noutras cidades.
Em Lamego, a “realidade é diferente” dos grandes centros urbanos, descreve António Lucena, que fala que este território é marcado por população “muito envelhecida”.
“Podemos dizer que, como em todos os sítios, há também alguma habitação decadente”, denuncia o presidente do organismo.
“O problema da habitação é muito mais efervescente do que propriamente ações pontuais, tem que haver uma solução global e não pode ser através de situações pontuais”, defendeu.
Sobre iniciativas futuras da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Lamego, depois da conferência sobre a ‘Magnifica Humanitas’, em outubro, o presidente adiantou que, para fevereiro de 2027, o organismo está a pensar realizar uma nova conferência sobre “Os caminhos da fé”, na qual se associará o Xacobeo 2027 com as peregrinações a Fátima.
“Depois, ainda não está fechado, mas estamos a começar a planear também, uma ação muito direcionada para a saúde mental e aqui com um foco na saúde mental dos sacerdotes e dos consagrados. Porque achamos que é uma necessidade”, revelou, informando que a iniciativa deverá realizar-se no segundo trimestre de 2027.
LJ/PR
