Desafios sistémicos de salário, o valor acrescentado dos jovens nas empresas, a conciliação entre profissão e vida familiar foram temas no debate «Esta economia não é para jovens?»

Lisboa, 29 set 2022 (Ecclesia) – Carlos Oliveira, presidente da Fundação José Neves, pediu hoje uma solução concertada para enfrentar os problemas sociais que limitam a economia portuguesa e afirmou que a sociedade deve “tomar as rédeas para resolver os problemas”.

“Nós, enquanto sociedade devemos tomar as rédeas para resolver problemas, temos de envolver as empresas. Enquanto país, não nos podemos virar apenas para o governo enquanto entidade que vai resolver todos os problemas: é um problema sistémico que tem de ser resolvido por todos: pais, cidadãos e isto faz-se com melhor educação para todos”, afirmou esta manhã na Conferência «Em Nome do Futuro: Os Desafios da Juventude».

“Somos um país que aceita, desde 1974, que em setembro haja sistematicamente jovens sem professores, que haja perda de competências desde a pandemia”, acrescentou durante o debate «Esta economia não é para jovens?»

O responsável criticou ainda a falta de reflexão em torno da educação, que se circunscreve apenas “às infraestruturas e ao salário dos professores”.

“Temos grandes questões para resolver e o que me preocupa na educação é olhar apenas para as infraestruturas e salario de professores, que é importante e têm de ser dignos, porque temos de criar condições para que os jovens queiram ser professores. O debate da educação é essencial e não se fala sobre o que mudar na educação, desde o pré-escolar e ao longo da vida – somos o país pior preparado para formação ao longo da vida”, lamentou.

Carlos Oliveira sugeriu ainda a adoção de um sistema de quotas para jovens em cargos de alta direção.

“É o que vemos na igualdade de género: muitos éramos contra o sistema de quotas mas se o impacto é positivo, «why not»? Se percebemos que está a atingir este efeito…”, explicou.

Inês Relvas, responsável pela criação e execução de estratégias da Sonae, afirmou a vontade de os jovens “não quererem ser uma alternativa, mas participarem numa solução conjunta”.

“O grande desafio é construir uma realidade conjunta e alterar comportamentos”, afirmou a jovem, com 30 anos, que reconheceu ser uma exceção nas mesas de direção.

A estratega reconheceu o “valor acrescentado” que os jovens traem às empresas, mas lamentou a falta de transparência na política salarial, fator que favorece a fuga de talento.

“Não encontro um longo prazo no nosso país”, lamentou.

O debate abordou ainda a conciliação entre a vida familiar e profissional, com Inês Relvas a sugerir que não recebe ou envia emails fora do horário de trabalho, mas a lamentar que a maternidade e paternidade não estejam ainda em plano de igualdade.

Carlos Oliveira sugeriu que o problema de trabalhar muitas horas se vai resolver com esta juventude, uma vez que “não disponíveis para trabalhar longas horas”.

A Conferencia «Em Nome do Futuro: Os desafios da juventude», que decorreu esta manhã no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, numa parceria entre a Rádio renascença e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, quis «projetar um país em mudança», apontando à JMJ Lisboa 2023.

LS

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