D. Manuel Clemente elogia dinamismo implementado por Francisco

Foto Agência ECCLESIA/OC

Lisboa, 18 nov 2022 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse que o Papa vai estar “com certeza” na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que a capital portuguesa recebe, pela primeira vez, de 1 a 6 de agosto do próximo ano.

“As jornadas não se fazem sem o Papa, seria preciso que houvesse um intervalo pontifício, por doença ou outra fatalidade, mas nem sequer pomos essa hipótese”, refere D. Manuel Clemente, em entrevista a Francisco Pinto Balsemão no podcast ‘Deixar o Mundo Melhor’, divulgada hoje.

“Espero que o Papa Francisco lá se conserte do joelho e que fique cá mais algum tempo connosco, apesar dos 86 à porta [17 de dezembro, ndr]”, acrescenta.

O responsável católico aponta à participação de cerca de um milhão de pessoas, na JMJ Lisboa 2023, admitindo que o encontro apresenta desafios logísticos na “capacidade de alojamento, alimentação e transporte” dos participantes.

“Venham os que vierem, serão bem recebidos, faremos todos os possíveis por isso”, realça.

D. Manuel Clemente considera que o atual Papa “trouxe para uma Igreja que ainda era muito eurocêntrica aquele sopro que é próprio das realidades sul-americanas”.

“Tem sido muito estimulante, para todos nós, e creio que não vai passar”, aponta, falando da necessidade de uma Igreja próxima das pessoas “mais pobres, mais frágeis”, privilegiando as “periferias”.

O patriarca de Lisboa considera que Francisco mantém uma mente “muito fresca, muito atenta”, assumindo que “há muita coisa que é preciso ser resolvida”.

“Coisas que ele lançou, processos de escuta e discernimento que iniciou e que é bom que continue a acompanhar até ao fim”, prossegue.

D. Manuel Clemente, de 74 anos, fala do seu percurso na Igreja, desde o “período crítico” do pós-25 de Abril, quando estava no Seminário, à Jornada Mundial da Juventude que Lisboa vai receber em 2023.

O cardeal português aborda a necessidade de implementar os princípios da “solidariedade” e da “subsidiariedade”, defendidos pelo pensamento social cristão, para que não se perca “a noção do todo”, sem “diluir as partes”.

“Quando se faz uma solidariedade forçada, que esmaga as particularidades de cada grupo, não funciona”, declara.

D. Manuel Clemente foi nomeado patriarca de Lisboa por Francisco, a 18 de maio de 2013, após a resignação do cardeal D. José Policarpo; anteriormente, tinha sido bispo do Porto desde 2007, por nomeação de Bento XVI.

A 14 de fevereiro de 2015, foi criado cardeal no Vaticano, pela atual Papa.

Antigo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), foi vencedor do Prémio Pessoa 2009, distinção que evocou a sua obra historiográfica, intervenção cívica e “postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja”.

Manuel José Macário do Nascimento Clemente nasceu em Torres Vedras a 16 de julho de 1948; após concluir o curso secundário, frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa onde se formou em História, antes de entrar no Seminário Maior dos Olivais em 1973.

Em 1979 licenciou-se em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, doutorando-se em Teologia Histórica em 1992, com uma tese intitulada “Nas origens do apostolado contemporâneo em Portugal. A ‘Sociedade Católica’” (1843-1853).

Ordenado padre em 29 de junho de 1979, o novo patriarca foi coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa, formador e reitor do Seminário dos Olivais e membro do Cabido da Sé de Lisboa.

D. Manuel Clemente foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa por São João Paulo II, a 6 de novembro de 1999; a ordenação episcopal celebrou-se na igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos) no dia 22 de janeiro de 2000.

OC

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