Cerimónia de entrega decorre na Catedral da Guarda, diocese onde a Cruz peregrina e o Ícone mariano estiveram no último mês

Foto: Diocese de Viseu

Lisboa, 03 abr 2022 (Ecclesia) – A Diocese de Viseu recebeu hoje os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na sexta etapa da peregrinação nacional que prepara a edição da JMJ em Lisboa, de 1 a 6 de agosto de 2023.

“Eu espero que, à passagem da cruz, como tenho visto em tantas dioceses, se faça festa, haja alegria e esperança, e a passagem do ícone marque a nossa vida, para prepararmos verdadeiramente a Jornada Mundial da Juventude”, disse à Agência ECCLESIA D. António Luciano, bispo de Viseu.

D. António Luciano manifesta o desejo de acolher “os que o desejarem”, em Viseu, na semana anterior à JMJ 2023, e de levar a Lisboa uma delegação diocesana que seja “sinal de esperança de uma Igreja renovada, viva e jovem”.

Este é um esforço que envolve os setores da Pastoral da Juventude, do Ensino Superior, das Vocações e da Família,

O bispo de Viseu, que se deslocou à Guarda para receber os símbolos, quer que a Cruz peregrina seja um “sinal” para a Igreja e a sociedade, propondo “uma vida nova”.

A Cruz peregrina e o Ícone de Nossa Senhora ‘Salus Populi Romani’ são entregues na Sé da Guarda, que acolheu a celebração da Eucaristia, pelas 11h00, encerrando a passagem destes símbolos pelo território diocesano.

Passagem dos símbolos da JMJ. Foto: Agência ECCLESIA/LS

D. Manuel Felício, bispo da Guarda, destacou na sua homilia a necessidade de mudar, interiormente, para “tornar este mundo diferente”, assinalando o simbolismo da peregrinação que preparou a JMJ.

“Esta Cruz veio para nos lembrar o Jubileu da Redenção, acontecimento em que Jesus entregou a sua vida pela humanidade inteira”, disse.

“Nesta hora de passagem de testemunho, para a Diocese de Viseu, damos graças ao Senhor pelo percurso que a Cruz fez no meio de nós. E pedimos, nesta hora, que a sensibilização que aconteceu, nas mais variadas situações, se transforme num contributo para renovarmos as relações com os outros e, principalmente, com os jovens”, acrescentou.

O responsável católico desejou que as novas gerações possam encontrar em Jesus “a grande força que faz da sua vida uma vida com valor, de serviço à comunidade”.

A Missa foi concelebrada por D. António Luciano e por D. Américo Aguiar, presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023.

Sandra Soares, coordenadora do Comité Organizador Diocesano (COD) da Guarda para a JMJ Lisboa 2023, disse hoje à Agência ECCLESIA que este é um dia de emoções “mistas”, entre a gratidão e a despedida.

“Tem sido muito gratificante”, refere, num balanço do percurso iniciado a 5 de março e que diz ter superado as expectativas.

A responsável assume que os símbolos são entregues a Viseu “de coração cheio”, sublinhando “a quantidade de jovens que aderiram” às várias iniciativas, de forma crescente, ao longo da peregrinação.

“Acredito que esta passagem dos símbolos pela nossa diocese tenha mexido profundamente com o coração de cada um. Será uma alavanca para 2023”, aponta.

Foto: Agência ECCLESIA/LS

Fernando Diniz Chapeiro, diretor da Pastoral da Juventude em Viseu e responsável do COD, nesta diocese, assumiu o desejo de que esta caminhada para a JMJ de Lisboa “continue para lá” do próximo ano.

Para o responsável, a chegada dos símbolos é “uma graça imensa”, que apresenta o desafio de “manter acesa a chama”, durante os meses seguintes, até agosto de 2023.

“Estamos no tempo propício para adora a Cruz, o símbolo da Jornada Mundial da Juventude”, assinalou, a respeito da próximidade da Semana Santa e da Páscoa, com a sua mensagem de salvação, “da morte para a vida”.

O responsável do COD assume o desafio de “chegar às periferias”, confiando em cada paróquia para que celebre esta passagem da melhor maneira possível, “num contacto pessoal com cada um”, numa diocese muito extensa, em termos de território.

O momento da despedida vai acontecer a 25 de abril, em Mangualde.

Gonçalo Crespo, chefe de agrupamento na Guarda, destacou que os escuteiros estiveram envolvidos na passagem dos símbolos pela cidade, em particular junto das crianças, os Lobitos, que manifestam a sua “curiosidade”.

Quanto aos jovens, o entrevistado admite que, numa comunidade “envelhecida”, a peregrinação das Cruz e do Ícone ajudou a uma “aproximação” entre as várias partes da diocese.

Inês Lopes, jovem que integra o COD da Guarda, na equipa de animação, disse à Agência ECCLESIA que a alegria dos que estão mais diretamente envolvidos nesta organização “motiva os outros” a participar.

“Têm sido muito felizes”, confessa, falando numa experiência “transcendente”.

Maria Fernandes, que acompanhou esta peregrinação, destacou o “dinamismo” gerado pela experiência das últimas semanas, nas paróquias de aldeias e cidades.

“Foram momentos que não vamos esquecer”, refere, realçando a passagem por muitas localidades que não têm jovens, mas “quiseram estar presentes”.

Os símbolos chegaram a Viseu pelas 15h00, começando um percurso entre a Câmara Municipal e a Catedral diocesana, antes da Eucaristia, pelas 18h30.

LS/CB/OC

Notícia atualizada às 17h00

 

A Cruz peregrina

Com 3,8 metros de altura, a Cruz peregrina, construída a propósito do Ano Santo, em 1983, foi confiada por São João Paulo II aos jovens no Domingo de Ramos do ano seguinte, para que fosse levada por todo o mundo. Desde aí, a Cruz peregrina, feita em madeira, iniciou uma peregrinação que já a levou aos cinco continentes e a quase 90 países.

Foi transportada a pé, de barco e até por meios pouco comuns como trenós, gruas ou tratores. Passou pela selva, visitou igrejas, centros de detenção juvenis, prisões, escolas, universidades, hospitais, monumentos e centros comerciais. No percurso enfrentou muitos obstáculos: desde greves aéreas a dificuldades de transporte, como a impossibilidade de viajar por não caber em nenhum dos aviões disponíveis.

Ícone

Desde 2000 que a Cruz Peregrina é acompanhada pelo Ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani, que retrata a Virgem Maria com o Menino nos braços. Este Ícone foi introduzido também pelo Papa São João Paulo II como símbolo da presença de Maria junto dos jovens.

Com 1,20 metros de altura e 80 centímetros de largura, o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani está associado a uma das devoções mais populares marianas em Itália: é antiga a tradição de o levar em procissão pelas ruas de Roma, para afastar perigos e desgraças ou pôr fim a pestes. O ícone original encontra-se na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e é visitado pelo Papa Francisco que ali reza e deixa um ramo de flores, antes e depois de cada viagem apostólica.

 

A próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude vai decorrer pela primeira vez em território português; inicialmente prevista para 2022, a JMJ de Lisboa foi adiada um ano, por causa da pandemia de Covid-19.

O programa vai incluir catequeses e iniciativas culturais na cidade, antes dos encontros conclusivos sob a presidência do Papa, na zona do Parque Tejo, junto ao espaço que acolheu a Expo’98.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, e desde então a JMJ já passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

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