«Estas terras experimentaram, como poucas, a capacidade destrutiva a que pode chegar o ser humano» – Francisco

Nagasáqui, Japão, 24 nov 2019 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje em Nagasáqui à sua primeira Missa com a comunidade católica do Japão, na solenidade litúrgica de Cristo-Rei, apresentando a compaixão como “verdadeiro modo de construir a história”.

No último domingo do Ano Litúrgico, Francisco convidou todos a imitar o ladrão que foi crucificado com Jesus Cristo, segundo o relato dos Evangelhos, “capaz de levantar a voz e fazer a sua profissão de fé”.

“Por um instante, o passado tortuoso do ladrão parece ganhar um novo significado: acompanhar de perto o suplício do Senhor; e este instante limita-se a corroborar a vida do Senhor: oferecer sempre e por toda a parte a salvação”, indicou.

Falando à minoria católica (menos de 0,5% da população), Francisco convidou os fiéis a “renovar” o seu compromisso de fé, sem “perder a memória do que significa carregar com o sofrimento de tantos inocentes”.

“Estas terras experimentaram, como poucas, a capacidade destrutiva a que pode chegar o ser humano”, assinalou, perante cerca de 35 mil pessoas reunidas no Estádio de Basebol.

Horas depois de ter rezado pelas vítimas da bomba atómica que atingiu a cidade japonesa em 1945, o Papa declarou que “Nagasáqui carrega na sua alma uma ferida difícil de curar, sinal do sofrimento inexplicável de tantos inocentes”.

“Vítimas atingidas pelas guerras de ontem, mas que sofrem ainda hoje com esta terceira guerra mundial aos pedaços. Levantemos, aqui, as nossas vozes numa oração comum por todos aqueles que hoje estão a sofrer na sua carne este pecado que brada ao céu”, apelou.

À imagem do que fizera no memoria dedicado a São Paulo Miki e seus companheiros, o Papa prestou homenagem aos “milhares de mártires” que integram a “herança espiritual” da Igreja Católica no Japão.

“O amor entregue, sacrificado e celebrado por Cristo na cruz é capaz de vencer todo o tipo de ódio, egoísmo, ultraje ou maledicência; é capaz de vencer todo o pessimismo indolente ou bem-estar narcotizante, que acaba por paralisar qualquer ação e escolha boa”, declarou.

Na solenidade de Cristo-Rei, Francisco convidou os católicos a dar testemunho deste Reino de Deus “em família, no trabalho, na sociedade”.

“O Reino dos Céus é a nossa meta comum; uma meta que não pode ser só para amanhã, mas imploramo-la e começamos a vivê-la hoje junto da indiferença que rodeia e silencia tantas vezes os nossos doentes e pessoas com deficiência, os idosos e abandonados, os refugiados e trabalhadores estrangeiros”, apontou.

Após a Missa, o Papa deixa Nagasáqui e ruma a Hiroxima, para prestar homenagem às vítimas do primeiro bombardeamento atómico no Japão.

OC

Partilhar:
Share